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segunda-feira, 18 de Junho de 2012

Magalhães Lima


Sebastião de Magalhães Lima nasceu no Rio de Janeiro a 30 de Maio de 1850 e viria a falecer em Lisboa a 7 de Dezembro de 1928, foi um advogado, jornalista, político e escritor português, fundador do jornal O Século.

Defensor de republicanismo com pendor a socialismo utópico, fez parte da chamada Geração de 70 e foi durante largos anos grão-mestre da Maçonaria portuguesa, presidindo aos destinos da organização aquando do Golpe de 28 de Maio de 1926 e do desencadear das perseguições que levariam à sua posterior ilegalização durante o regime Estado Novo.
No congresso do Porto em 1910


Aos 4 anos de idade mudou-se para a região de Aveiro, de onde era oriunda a família, e depois para Lisboa, ficando a sua educação entregue a um dos mais importantes negociantes daquela cidade.

Frequentou o Colégio Alemão de Lisboa, onde realizou os estudos preparatórios, e depois o Liceu do Porto, onde concluiu o ensino secundário. Em 1870 matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde, depois de um curso distinto, se formou em Direito.

Durante os seus tempos de estudante em Coimbra destacou-se pelo desassombro com que confessava as suas opiniões republicanas e pelo vigor com que as defendia. Essa atitude levou a que colaborasse em vários periódicos políticos e literários, sendo um dos fundadores do jornal Distrito de Aveiro.

Em 1874 foi iniciado na Loja Perseverança, N.º 74, em Coimbra, do Grande Oriente Lusitano Unido, com o nome simbólico de João Huss, passando depois a coberto.

Após uma visita a Madrid, feita já com motivações políticas, Magalhães Lima concluiu a sua formatura em 1875, com a classificação de distinto, encetando nesse ano funções de advogado em Coimbra.

Nesse mesmo ano publicou o romance A Senhora Viscondessa, transferindo-se pouco depois para Lisboa onde assentou banca de advogado.

A partir de finais da década de 1870 afasta-se progressivamente da advocacia para se dedicar ao jornalismo e à política, escrevendo um conjunto de panfletos que intitulou O Espectro de Juvenal, defendendo o regime republicano e atacando duramente as instituições da monarquia constitucional portuguesa.

Aquando da assinatura em Maio de 1878 do Tratado de Lourenço Marques destacou-se pela violência dos seus ataques à pusilanimidade do Governo e às cedências à hegemonia britânica, escrevendo violentos artigos nos jornais e intervindo como principal orador nos comícios oposicionistas que então se realizaram. A campanha foi tão eficaz que o parlamento rejeitou a ratificação daquele acordo, pondo termo à carreira política de Andrade Corvo.

Já ligado à esquerda republicana, em 1880 fez parte da comissão executiva da imprensa nas grandes comemorações do centenário de Luís de Camões, publicando depois um opúsculo reproduzindo uma conferência que proferiu sobre as comemorações camonianas no estrangeiro.

No ano de 1881 fundou em parceria com figuras destacadas do republicanismo o periódico O Século, que passou a dirigir. A violência de alguns dos artigos publicados no jornal sob a sua direcção levou a que fosse processado e passasse algum tempo preso no Limoeiro de Lisboa e a um duelo ao sabre com Pinheiro Chagas, então director do Diário da Manhã, do qual resultaram ferimentos ligeiros para este.

No início da década de 1890, Magalhães Lima, então já consumado como jornalista enérgico e orador fluente, assumiu-se com um dos principais vultos do Partido Republicano, defendendo um republicanismo com pendor a socialismo utópico, mas pugnando por um entendimento entre a burguesia e o proletariado. Aquando da onda de contestação que varreu Portugal na sequência do ultimato britânico de 1890, encabeçou a contestação antibritânica e antimonárquica, dirigindo nos anos seguintes o periódico republicano A Folha do Povo e depois o jornal A Vanguarda.

Em 1907 é eleito 21.º Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano e 10.º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, sendo depois sucessivamente reeleito para ambos os cargos entre 1907 e 1928.

Ocupa ainda este cargo à data da sua morte. Como Maçon e como Grão-Mestre participou em numerosos congressos e encontros maçónicos, nacionais e internacionais. Acumula o cargo de Grão-Mestre com o de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite, grau que lhe foi expressamente concedido pelo Supremo Conselho da Escócia, em Edimburgo.

Foi membro do Directório do Partido Republicano Português e participou na embaixada republicana do Verão de 1910 como delegado dos republicanos e socialistas portugueses a vários reuniões internacionais, percorrendo a Espanha, a Itália e a França.

Encontrava-se em Paris quando a república foi proclamada em Portugal, sendo no regresso a Lisboa recebido com entusiasmo pelos republicanos. Também foi dirigente da Associação de Jornalistas e Homens de Letras de Lisboa, instituição que representou nos congressos de jornalismo que se realizaram em Estocolmo, Paris, Lisboa, Roma e Viena.

Após a proclamação da República Portuguesa, foi deputado à Assembleia Constituinte de 1911, na qual foi escolhido como relator da Constituição da República Portuguesa de 1911.

No Congresso da República candidatou-se às eleições presidenciais de 24 de Agosto de 1911, nas quais foi eleito Manuel de Arriaga, obtendo apenas um único voto.

Exerceu as funções de Ministro da Instrução Pública de 17 de Maio a 19 de Junho de 1915, no governo presidido por José Ribeiro de Castro instituído depois da revolução de 14 de Maio de 1915 que pôs termo à ditadura do general Joaquim Pimenta de Castro.

Em 1921 fundou a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem.

Foi Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada.

Faleceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1928, já sob o governo da Ditadura Nacional, mas ainda assim o seu funeral reuniu dezenas de milhar de pessoas.

Foi um dos maçons portugueses mais conhecidos e prestigiados fora de Portugal, e um dos grão-mestres com mais longo mandato na história maçónica portuguesa (1907 a 1928), coincidente com o período de maior apogeu da Maçonaria em Portugal.

Na sua última mensagem como grão-mestre, em 1928, condenou a opressão que um regime ditatorial impusera ao seu país desde 1926, afirmando que os conceitos de Pátria e de Liberdade eram sinónimos.

quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

Machado Santos



António Maria de Azevedo Machado Santos nasceu em Lisboa a 10 de Janeiro de 1875 vindo a ser assassinado em Lisboa a 19 de Outubro de 1921, mais conhecido por Machado Santos, foi um militar e político português, considerado o fundador da República Portuguesa pelo denodo com que se bateu na Revolução de 5 de Outubro de 1910 e depois na defesa do regime contra a intentona monárquica de 22 a 24 de Janeiro de 1919 em Monsanto.

Machado Santos alistou-se na Armada Portuguesa em 1891 iniciando uma carreira de comissário naval que o levaria ao posto de comissário de 2.ª classe (segundo-tenente) aquando da Revolução de 5 de Outubro de 1910, cabendo-lhe comandar a força que ocupou a Rotunda, em Lisboa

Pelo excepcional espírito combativo demonstrado e pela eficácia da sua acção, a Assembleia Constituinte, em 1911, promoveu-o a capitão-de-mar-e-guerra, concedendo-lhe ainda uma pensão anual a título vitalício

Ainda durante a Monarquia já se tinha iniciado na Carbonária, presente em todos os movimentos revolucionários que precederam a queda do regime, distinguindo-se na Revolta de 28 de Janeiro de 1908.

Eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911, foi dos primeiros a manifestar sinais de desencanto face ao andamento da política na República, a qual se afastava rapidamente dos ideais de pureza republicana dos seus defensores iniciais.

Funda então o jornal O Intransigente, que dirige, no qual expressa o seu desencanto, criticando acidamente quase todos os governos, em intervenções incómodas e nem sempre claras quanto à orientação política que preconizava como alternativa

Mantendo o fervor revolucionário e conspirativo do período anterior à implantação da República Portuguesa, passa da palavra aos actos, organizando ou participando nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, na Revolta de Tomar de 1916 e no golpe de 1917 que colocou Sidónio Pais no poder. de quem foi apoiante em cujo consulado foi ministro (responsável pela pasta do Interior) e secretário de Estado (das Subsistências e Transportes), mas depois passou também a opor-se-lhe

No Movimento das Espadas, quando vários oficiais militares descontentes com o estado do país tentaram simbolicamente entregar as suas espadas ao Presidente da República Manuel de Arriaga, teve um papel determinante, já que ao deslocar-se ao Palácio de Belém para entregar a espada que usara nos combates da Rotunda no dia 5 de Outubro de 1910, deitou por terra a acusação de pró-monárquicos com que o Partido Democrático Republicano (no poder) justificara a prisão dos oficiais amotinados.

Nesse mesmo ano foi preso e deportado para os Açores durante a ditadura de Pimenta de Castro.

Em 1919, durante a Monarquia do Norte, voltou a salvar a República ao contribuir para a derrota do grupo de revoltosos monárquicos acampados na Serra de Monsanto.

Ainda lança o Partido da Federação Republicana, com que pretende continuar a sua intervenção política, mas acaba por se retirar da vida política.



Morreu assassinado na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara.

Mais tarde, Machado Santos chegaria ao posto de vice-almirante.Dos acontecimentos da Rotunda dá conta um Relatório, que foi escrito pelo próprio Machado Santos mas não constitui fonte absolutamente fiável, uma vez que o autor não assistiu a certos sucessos que menciona, antes reproduz informações que recolheu junto de outros intervenientes nos combates de 1910.

. Mais tarde, Machado Santos chegaria ao posto de vice-almirante.Dos acontecimentos da Rotunda dá conta um Relatório, que foi escrito pelo próprio Machado Santos mas não constitui fonte absolutamente fiável, uma vez que o autor não assistiu a certos sucessos que menciona, antes reproduz informações que recolheu junto de outros intervenientes nos combates de 1910.

Morreu assassinado, em 1921, durante a chamada Noite Sangrenta, juntamente com António Granjo.

terça-feira, 11 de Outubro de 2011

António Maria da Silva



António Maria da Silva nasceu em Lisboa em 1872. Tirou o curso de Engenharia de Minas na Escola do Exército que concluiu em 1892, tendo sido nomeado em 1895, engenheiro ajudante do Ministério das Obras Públicas.

Filiado no Partido Republicano Português (PRP), e membro da Carbonária, de que se tornou um dos principais dirigentes, a sua actividade política foi exercida à margem da lei, conspirando por métodos revolucionários para derrubar a monarquia.

Tendo sido descoberto exilou-se em Espanha de onde voltou para participar na revolução falhada de 28 de Janeiro de 1908.

Manteve sempre actividade revolucionária, e foi uma das figuras principais na preparação da Revolução de 5 de Outubro de 1910, com o Almirante Cândido dos Reis, Machado Santos, Miguel Bombarda e outros dirigentes do PRP, da Maçonaria e da Carbonária.

Depois da proclamação da República foi nomeado director-geral dos Correios e Telégrafos e secretário-geral do Ministério do Fomento.

Em 1913, foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte, reunindo à sua volta um núcleo que se chamou Grupo Independente e que em 1914 se integrou no PRP. Nessa altura já assumiu o cargo de Ministro do Fomento (correspondente ao actual Ministro da Economia).

Durante a ditadura de Pimenta de Castro foi suspenso do seu lugar de secretário-geral dos Correios e juntamente com Sá Cardoso, Freitas Ribeiro e Álvaro de Castro fundou a Junta Revolucionária que levou a cabo o movimento de 14 de Maio de 1915.

Nesse mesmo ano Afonso Costa encarregou-o novamente da pasta do Fomento, cargo que manteve até Março de 1916, transitando depois para o Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Com a saída de Afonso Costa do governo, António Maria da Silva tornou-se chefe do partido Democrático e veio a ser Presidente do Ministério, por seis vezes.

Da sua acção como governante, destaca-se a organização da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, a criação do Laboratório Central de Patologia Veterinária e a modernização das Escolas Técnicas.

Passou os últimos anos de vida a escrever as suas memórias, que não chegou a editar. Publicou os trabalhos Nascentes Termo-Minerais e a Carta das Estâncias Minerais em Portugal.

António Maria da Silva morreu em Lisboa no dia 14 de Outubro de 1950.

Fonte O centenário da Republica

quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Bento de Jesus Caraça


Nasceu em Vila Viçosa em 18 de Abril de 1901
Morreu em Lisboa a 25 de Junho de 1948

Bento Jesus é filho João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha e irmão de António, Francisco e Filomena. Casou em 1926 com Maria Octávia Sena, de quem ficou viúvo nove meses depois.

Casou em 1943 com Cândida Gaspar, com quem teve o seu único filho, João Manuel Gaspar Caraça.

Foi um matemático português, resistente antifascista e militante do Partido Comunista Português.

Desenvolveu notável acção cultural e pedagógica através de artigos publicados nas revistas Gazeta de Matemática,qu criou em 1940, com os professores António Monteiro, Hugo Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zalua, na Seara Nova e Vértice.

Licenciou-se em 1923, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG).

Em 1936 funda o Núcleo de Matemática, Física e Química juntamente com outros recém doutorados nas áreas da matemática e física.

Em 1938, com os professores Mira Fernandes e Beirão da Veiga, funda o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, que dirigiu até Outubro de 1946, ano da sua extinção pelo Governo.


Em 1941 cria a "Biblioteca Cosmos", para edição de livros de divulgação científica e cultural, a qual publicou 114 livros, com uma tiragem global de 793 500 exemplares.

Esta verdadeira “enciclopédia do saber”, pioneira mesmo a nível da Europa, publicou 114 títulos, Nela publicou Bento Caraça o seu notável livro “Conceitos Fundamentais da Matemática” que revolucionou a abordagem da história da Matemática focada dum ponto de vista interdisciplinar e dialéctico.

Foi membro do MUNAF e vice-presidente do MUD, em 1946 é preso pela PIDE e, em Outubro desse mesmo ano, demitido do lugar de professor catedrático do ISCEF.

Em 1943 torna-se presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Homem de cultura, atacava o monopólio cultural das classes dominantes , apontava o caminho da criatividade e da fruição culturais pelo povo e sublinhava o consequente imperativo da solução dos graves problemas económicos das massas trabalhadoras. Deu uma importante contribuição para a democratização da cultura. Apontando o valor e o papel do indivíduo, inseria a sua actividade em realizações colectivas.

Homem de profundas convicções, reflectia e incitava os outros a reflectirem, respeitava as opiniões diferentes, era sereno na controvérsia. E porque confiava no futuro, acreditava na juventude, convivia com os jovens, que com ele conversavam e passeavam. E nem ele nem os os jovens sentiam as diferenças da idade.

Recordo nos dias de hoje as suas palavras

construímos cinemas sumptuosos e temos falta de casa de habitação. Gastamos em navios de guerra o dinheiro necessário para as escolas. Os ricos podem gastar num só jantar o salário semanal de um operário, enquanto o operário não pode enviar à escola os filhos insuficientemente alimentados

são frases como estas que definem a ideologia que deve marcar a linha orientadora dum governo, não se é esquerda ou de direita colando rótulos mas sim pelo sentido das orientações políticas que se tomam.

Faleceu em Lisboa, no dia 25 de Junho de 1948, vítima de doença cardíaca.

Obras publicadas

* 1930 Interpolação e Integração Numérica.
* 1933 A Cultura Integral do Indivíduo - Problema central do nosso tempo, onde escreve um programa de intervenção cultural, científica e pedagógica.
* 1935 Lições da Álgebra e Análise.
* 1937 Cálculo Vectorial.
* 1941 Conceitos Fundamentais da Matemática.

quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Augusto de Vasconcelos


  • Augusto César de Almeida de Vasconcelos Correia
  • nasceu em Lisboa, 25 de setembro de 1867
  • morreu em Lisboa, 27 de setembro de 1951
  • , mais conhecido por Augusto de Vasconcelos, foi um médico e professor de Medicina, político e diplomata português do período da Primeira República.
Republicano moderado desde a sua juventude, era considerado amigo pessoal de Afonso Costa e politicamente próximo de Brito Camacho.

Era professor catedrático de Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, pela qual se tinha licenciado em 1891, passando a assumir a cátedra da Anatomia Descritiva e Topográfica em 1906.
Director clinico e Enfermeiro mor dos Hospitais civis, foi considerado um dos maiores cirurgiões do seu tempo.

Militante republicano desde a juventude, estreou-se na governação como Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo presidido por João Pinheiro Chagas, no período de 12 de Outubro a 12 de Novembro de 1911, tendo nesta última data assumido a presidência do Ministério, mantendo em acumulação a pasta dos Negócios Estrangeiros.

Manteve-se como Presidente do Conselho de Ministros até 16 de Junho de 1912.

Em 16 de Junho de 1912 abandonou a presidência do Ministério, que passou a ser ocupada por Duarte Leite, permanecendo, contudo, no cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros até 9 de Janeiro de 1913.

Enveredou então pela diplomacia, ocupando o posto de embaixador de Portugal em Madrid nos anos de 1913 e 1914, passando depois para a embaixada em Londres, que ocupou de 1914 a 1919, período que compreendeu a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, altura em que a embaixada em Londres tinha um papel crucial na condução política do conflito.

Terminada a Guerra, chefiou em 1919 a delegação portuguesa à Conferência de Paz de Paris, passando depois trabalhar na Sociedade das Nações, organismo no qual foi delegado português em 1934 - 1935, presidindo nessa altura à respectiva Assembleia Geral.

Nessas funções ganhou algum destaque com os esforços diplomáticos que desenvolveu para pôr termo à Guerra do Chaco que em 1935 opôs a Bolívia ao Paraguai.

Nesse mesmo ano de 1935 assmiu a presidência daSociedade das Nações que deteve até 1937

domingo, 16 de Janeiro de 2011

Manuel de Arriaga



  • nasceu na Horta a 8 de Julho de 1840
  • morreu em Lisboa 5 de Março de 1917

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelonguemais conhecido por Manuel de Arriaga, foi um advogado, professor, escritor e político de origem açoriana.



Manuel de Arriaga nasceu na casa do Arco, no centro da cidade da Horta, ilha do Faial, filho de Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira e de sua esposa Maria Cristina Pardal Ramos Caldeira

. Pertencente à melhor sociedade faialense, o pai era um dos mais ricos comerciantes da cidade.

Depois de concluídos os estudos preparatórios na cidade da Horta, em 1860 matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, sendo acompanhado pelo seu irmão, José de Arriaga, quatro anos mais novo.

Em Coimbra cedo se revelou um aluno brilhante e um orador notável.

Aderiu ao ideário republicano, então considerado subversivo, levou a que o pai, monárquico conservador com laivos miguelistas, cortasse relações com o filho, proibindo-lhe o regresso a casa. sendo obrigado a trabalhar, leccionava inglês, para sustentar os seus estudos, e os do irmão, igualmente proscrito pelo pai por adesão a ideologias subversivas.

Formou-se no ano de 1865 e no ano seguinte abriu escritório de advogado em Lisboa, cidade onde se fixou.

Já advogado de renome em Lisboa, em 18 de Maio de 1871 foi um dos doze signatários do programa das conferências democráticas do casino Lisbonense. Tornou-se num membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, afirmando-se como um dos seus principais ideólogos. Afirmava-se partidário entusiasta da democracia, tendo sempre militado no republicanismo unitário e democrático, rejeitando o anticlericalismo e o jacobinismo que marcavam a corrente dominante do republicanismo português daquela época.

Casou em Valença com Lucrécia Augusta Brito de Berredo Furtado de Melo e deste casamento nasceram quatro filhas e dois filhos.

Em 26 de Agosto de 1876 foi nomeado vogal da Comissão para a Reforma da Instrução Secundária, sendo este o primeiro cargo público que exerceu.

Em 1878 concorreu para o lugar de professor de História Universal e Pátria do Curso Superior de Letras, mas voltou a ser preterido, apesar do brilhantismo da dissertação que apresentou a concurso.

Apesar de ser considerado um gentleman e de vestir à melhor moda da aristocracia do tempo, a sua fama de revolucionário não deixou certamente de influir sobre o júri. Acabaria por conseguir um lugar de professor de inglês do Liceu de Lisboa, cargo que manteria por largos anos.

Nesse mesmo ano de 1878, concorreu pela primeira vez a um lugar de deputado nas Cortes, integrando a lista republicana candidata a um dos círculo eleitorais da cidade de Lisboa (o círculo n.º 96). Apesar da forte campanha que conduziu, foi largamente derrotado, obtendo apenas 456 votos, contra os 1086 sufrágios do vencedor.

Em 1881 faleceu o seu pai, herdando os bens familiares no Faial e no Pico, já que o seu irmão mais velho, Sebastião de Arriaga, falecera precocemente em 1875.

Nesse mesmo ano empenhou-se novamente na campanha republicana para as eleições gerais de 21 de Agosto (24.ª legislatura), sendo novamente candidato por um dos círculos de Lisboa, no qual voltou a ser derrotado.

Em 26 de Novembro de 1882, numas eleições suplementares, foi finalmente eleito deputado republicano pelo círculo da Madeira. A vitória eleitoral deveu-se a um conjunto de circunstâncias que beneficiaram a sua candidatura: apresentara-se a convite de uma comissão de comerciantes e industriais funchalenses, desiludidos com os partidos do rotativismo, beneficiando da ausência de um candidato do Partido Regenerador.

Ainda assim, teve de se submeter a segunda volta, pois quase empatara contra Anselmo José Braamcamp, o líder do Partido Progressista, mas com a desistência deste venceu folgadamente com 2650 votos, 60,9% do total dos votos expressos.

Foi proclamado deputado a 8 de Janeiro de 1883, prestando juramento dois dias depois. Foi o segundo republicano a tomar assento no parlamento português, juntando-se no parlamento a José Elias Garcia, que ali tinha assento desde 1881.

Manuel de Arriaga iniciou o seu percurso parlamentar apresentando de imediato uma proposta que visava eliminar o juramento de fidelidade ao rei e à Carta Constitucional a que estavam obrigados os parlamentares, proposta que obviamente foi de imediato rejeitada.

Apresentou durante o ano de 1883 diversas propostas legislativas, todas sem sucesso. Até ao termo da legislatura, que terminou com a 3.ª sessão legislativa a 17 de Maio de 1884, limitou-se a renovar, em conjunto com Elias Garcia, uma iniciativa legislativa.

Durante estes dois anos no Parlamento renunciou ao seu vencimento como professor liceal, recebendo apenas o subsídio parlamentar a que tinham direito os deputados. Terminado o mandato, não foi reeleito.

Na sua acção como deputado, e mesmo não conseguindo fazer parte de qualquer comissão parlamentar, distinguiu-se pela pertinência das suas intervenções e posições e pela fineza do seu trato. Demonstrando elevados dotes intelectuais e uma cultura superior, aliava a uma oratória brilhante uma grande combatividade política e um elevado rigor ético.

No Partido Republicano Português, o prestígio que conquistara nas Cortes e a sua capacidade intelectual guindaram-no para uma posição preponderante, que manteve entre 1883 e 1892.

A partir de 31 de Dezembro de 1891 integrou, com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo, o directório do partidário durante o período da sua estruturação.

Foi também vereador republicano da Câmara Municipal de Lisboa.

Nas eleições gerais de 20 de Outubro de 1889 voltou a candidatar-se a deputado, desta feita pelo círculo da sua cidade natal, a Horta. Apesar das ligações familiares, o meio conservador das ilhas não lhe era favorável, pelo que ficou em quarto lugar, num círculo que elegia três deputados.

No ano seguinte, depois de cinco anos fora do Parlamento, a reacção popular ao ultimato britânico de 1890, que levara à dissolução do recém-eleito parlamento, veio abrir uma nova oportunidade para os republicanos. Manuel de Arriaga voltou à ribalta política nacional ao liderar a manifestação organizada a 11 de Fevereiro de 1890 em repúdio ao ultimato britânico e à cedência do governo português. Foi preso durante o evento e conduzido a bordo de um navio de guerra, onde ficou retido até ser libertado por uma amnistia régia.

Aproveitado a indignação popular contra o rei e os partidos do rotativismo, nas eleições gerais realizadas a 30 de Março de 1890 (28.ª legislatura) concorreu novamente pelo círculo de Lisboa, sendo eleito folgadamente, em conjunto com outros dois republicanos (Elias Garcia e Latino Coelho).

Foi proclamado deputado a 30 de Abril de 1890, prestando juramento, novamente sob protesto, a 3 de Maio. Nesta segunda passagem pelo Parlamento, com um grupo republicano substancialmente alargado, tendo passado dos dois de 1883 para seis, teve um papel bastante mais interventivo, recusando novamente a acumulação de vencimentos.

Apesar de não fazer parte de qualquer comissão parlamentar, começou por re-apresentar a sua proposta de eliminação da obrigatoriedade de juramento, proposta obviamente rejeitada, passando depois a utilizar as Cortes como uma plataforma privilegiada para a sua actividade político-partidária.

Considerando-se eleito pelo voto popular, passou a defender acerrimamente a teoria da soberania popular, recusando qualquer solução política que não resultasse directamente da vontade dos cidadãos. A defesa da liberdade de consciência, de expressão, de reunião e de associação esteve sempre entre os tópicos da sua acção parlamentar.

Outra temática constante da sua acção parlamentar foi a defesa dos interesses do povo, por ele entendido como todos os cidadão. Nessa defesa dava grande importância à dignificação das classes menos favorecidas, tendo sido notável o empenho que colocou em 1883 na defesa dos camponeses e operários da Madeira, o círculo que o elegera, então a braços com uma profunda crise que condenava muitos deles à fome.

Foi um dos principais autores do programa do PRP apresentado ao público no dia 11 de Fevereiro de 1891. A partir daí participou frequentemente nos comícios de propaganda republicana, onde a sua capacidade oratória e a sua retórica rica e inflamada era muito apreciada pelas camadas populares. Aliás essa sua presença em comícios já vinha desde longe, já que em 1883 já participara num comício dissolvido pela força, razão que o levara depois a protestar veementemente nas Cortes.

Apesar da forte actividade e da pertinência das suas intervenções parlamentares, desencantou-se com a actividade parlamentar, declarando, no termo do mandato que não voltaria às Cortes enquanto novas leis ou melhores condições não investissem os representante do povo de melhores garantias. Desencantado com a política, dedicou-se gradualmente às suas obras literárias, com forte pendor filosófico, publicando, entre 1899 e 1907, dois livros de poesia e um de prosa.

Após a implantação da República Portuguesa, a 17 de Outubro de 1910 foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra, tendo como vice-reitor Sidónio Pais, outro vulto do republicanismo português.

A nomeação foi feita por António José de Almeida, que perante a necessidade de reestabelecer a ordem na Universidade, onde estudantes republicanos entraram nas instalações do Senado e praticaram actos de vandalismo, o convidou para reitor e lhe foi dar posse a 17 de Outubro de 1910, em cerimónia sem aparato académico, mas que bastou para serenar os ânimos estudantis

Pouco depois, a 17 de Novembro de 1910, foi nomeado Procurador-Geral da República.

A 28 de Abril de 1911 foi eleito novamente deputado constituinte pelo círculo da Madeira. Na Assembleia Nacional Constituinte revelou-se um orador notável, tendo muitos dos seus discursos dado um impulso não negligenciável à causa republicana. Não partilhava, porém, o anti-clericalismo próprio dos primeiros republicanos portugueses.

Perante um Partido Republicano Português dividido em facções crescentemente radicalizadas, a 24 de Agosto de 1911 foi eleito Presidente da República Portuguesa, por proposta de António José de Almeida.

Sem o apoio da facção dos democráticos de Afonso Costa, recolheu 121 votos em 217, tendo como apoiantes toda a ala moderada do republicanismo português. Com com 71 anos de idade, foi o primeiro Chefe do Estado eleito do novo regime.

O seu mandato foi atribulado devido a incursões monárquicas movidas por Paiva Couceiro e à crescente instabilidade política resultante da desagregação do PRP. Nesse ambiente, tentou, sem êxito, reunificar o partido que, entretanto, se desmembrava em diferentes facções.

Adversário da hegemonia afonsista da ala radical do PRP, após o Movimento das Espadas, em Janeiro de 1915 Manuel de Arriaga convidou o general Pimenta de Castro a formar governo, dando origem à instauração de uma ditadura, com dissolução inconstitucional do Congresso da República.

A decisão deu origem ao descontentamento generalizado dos republicanos, com os parlamentares, reunidos secretamente a 4 de Maio, no Palácio da Mitra, a declaram Manuel de Arriaga e Pimenta de Castro fora da lei e os seus actos nulos. Esta declaração levou a uma revolta, a Revolta de 14 de Maio de 1915.

Desencadeada pelos republicanos democráticos, com ao apoio da Marinha, aquela revolta provocou cerca de 200 mortos e derrubou o governo do general Pimenta de Castro.

Perante a formação de uma junta militar que reclamava a reposição da ordem constitucional, o bondoso e pacifista Manuel de Arriaga deixou o cargo a 26 de Maio, abandonando em definitivo a vida política, acusado de trair os ideais republicanos democráticos que defendera toda a sua vida. Foi então substituído na Presidência da República por outro açoriano, o professor Teófilo Braga.

Se não há dúvida que Manuel de Arriaga foi uma das figuras mais prestigiadas do republicanismo na oposição à Monarquia Constitucional Portuguesa, menos consensual foi a sua acção política como Presidente da República, especialmente nos últimos meses do mandato. Embora amargurado e sentindo-se incompreendido e injustiçado pelos vitupérios de que era vítima por parte dos seus próprios correlegionários republicanos, publicou, em 1916, um livro intitulado Na Primeira Presidência da República Portuguesa, um verdadeiro testamento da sua acção política.

Morreu em Lisboa a 5 de Março de 1917, dois anos depois de ter abandonado a Presidência da República. Foi sepultado em jazigo de família no Cemitério dos Prazeres. Em cumprimento da decisão votada por unanimidade pela Assembleia da República, constante da Resolução da Assembleia da República n.º 49/2003, de 4 de Junho, foi transladado para o Panteão Nacional de Santa Engrácia. A cerimónia solene de trasladação ocorreu em 16 de Setembro de 2004, com a presença do Presidente da República, do Primeiro Ministro e das mais altas individualidades do Estado Português.

Manuel de Arriaga é patrono da Escola Secundária Manuel de Arriaga, na cidade da Horta, e é recordado em centenas de nomes de ruas e praças. Será provavelmente o nome mais recordado na toponímia portuguesa.

Créditos . wikipédia

Pimenta de Castro



  • nasceu em Pias, Monção, 5 de Novembro de 1846
  • morreu em Lisboa a 14 de Maio de 1918
José Joaquim Pereira Pimenta de Castro
foi um oficial militar e político português.

Foi um oficial militar de carreira, também graduado em Matemática pela Universidade de Coimbra.


General de divisão em 1908, foi nomeado comandante da 3ª Região Militar, no Porto.

Oficial de de grande prestígio e alheio a actividade partidária foi Ministro da Guerra, por apenas dois meses, em 1911, fazendo parte do 1º governo constitucional chefiado por Pinheiro Chagas, tendo-se demitido do cargo devido a uma das incursões monárquicas de Henrique de Paiva Couceiro, acusado que foi de falta de firmeza.

Foi depois escolhido pelo Presidente Manuel de Arriaga para ser Presidente do Ministério (Primeiro Ministro) do governo, que governaria sem o parlamento, onde o Partido Republicano, liderado por Afonso Costa tinha a maioria.

O seu governo, com o apoio do Partido Republicano Evolucionista e da União Republicana, e também de facções militares conservadoras, ficou no poder de 28 de Janeiro a 14 de Maio de 1915.

Quando foi retirado do poder por um movimento militar a 14 de Maio de 1915, com o apoio do Partido Republicano Português, que causou também a demissão do Presidente Manuel de Arriaga

João Pinheiro Chagas




  • Nasceu no Rio de Janeiro em 1 de Setembro de 1862
  • Morreu no Estoril a 28 de Maio de 1925
João Pinheiro Chagas, nasceu no Rio de Janeiro, filho de um emigrante português.

Regressado a Portugal estudou em Lisboa, mas indo depois para o Porto tornando-se jornalista no Primeiro de Janeiro, Correio da Noite, O Tempo e O Dia

Por ocasião do ultimato britânico de 1890, adere ao Partido Republicano Português, sendo no ano seguinte implicado na revolta de 31 de Janeiro de 1891. Foi degredado para Angola, fugiu para o Brasil, e continuou a lutar pela causa republicana.

Tendo sido um dos mais activos oponentes da ditadura de João Franco, entre 1906 e 1908, com o triunfo da República, em 1910, João Chagas foi nomeado representante diplomático português em Paris, cargo do qual acabou por se demitir, em duas ocasiões, por discordar do modelo político seguido pelos governantes, mas onde acabou por se manter até se aposentar em 1923.

Foi Primeiro Ministro (chefe de governo) de 3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911.

Morreu no Estoril a 28 de Maio de 1925.

sábado, 8 de Janeiro de 2011

Vieira Lusitano



(Francisco de Matos Vieira)

Pintor da Casa Real. Por ser natural de Lisboa, onde nasceu a 4 de Outubro de 1699, ficou conhecido como Vieira Lusitano, sendo o seu nome Francisco de Matos Vieira

Uma família fidalga da quinta da Boavista quiseram conhecer o talentoso jovem, que desde miúdo patenteava a sua tendência para as Belas Artes.

Aí encontrou pela primeira vez aquela que seria o amor de toda a sua vida e com quem decorreram episódios rocambolescos.

O marquês de Abrantes, que viu alguns desses trabalhos, e estava nomeado embaixador em Roma, propôs-lhe levá-lo consigo e protege-lo, para que ele pudesse aperfeiçoar-se na arte, para que mostrava tão evidente vocação.

Com 15 anos saiu de Lisboa na companhia do diplomata português com destino à capital italiana.

Numa primeira fase esteve em Roma, cerca de 7 anos, embora com o seu tempo de estudo muito limitado, pela utilização que o seu mentor o marquês de Abrantes lhe atribuiu encarregando-o de lhe fazer desenhos de todos os festejos e funções religiosas que se efectuavam em Roma, de todos os ornamentos e peças que serviam de adorno aos altares da basílica de S. Pedro, e outras trabalhos menores.

Tomando parte num concurso da Academia de S. Lucas, ganhou o prémio com um trabalho em que representou a conhecida cena de Noé embriagado diante de seus filhos, sendo ele o primeiro português que em Roma alcançou tão sabida honra.

Regressando à pátria foi logo encarregado por D. João V de fazer um grande quadro do Santíssimo Sacramento para servir na procissão do Corpo de Deus, e depois de lhe pintar o retrato para servir de modelo aos cunhos da moeda.

Posteriormente pintou também na sacristia da igreja patriarcal alguns quadros.

Casou com D. Inês Helena de Lima e Melo, a tal menina que conhecera em criança. S família de D. Inês opunha-se ao casamento por julgarem o noivo de condição inferior.

Os pais da noiva, levaram a filha para o convento de Santana, e obrigaram-na a professar, embora ela protestasse era casada.

Francisco de Matos Vieira tentou por todos os modos legais tirar a esposa da clausura, mas como nem o próprio soberano o atendeu, decidiu voltar a Roma afim de pedir ao papa os breves precisos para a realização do seu desejo.

Esteve mais de 5 anos em Roma, no que respeita ás artes. tiveram eles o melhor êxito, porque, consolidando de dia para dia a sua reputação, foi feito académico de mérito na Academia de S. Lucas.

Dos trabalhos que então executou, especializa-se o quadro que pintou para a Academia representando Moisés na presença do rei do Egipto.

Voltando à pátria deliberou levar a efeito um projecto, saltando embora por cima de todas as leis civis e eclesiásticas.

Arranjou meio de lhe chegar ás mãos um fato completo de homem, e um dia, D. Inês saiu do mosteiro para se encontrar com seu marido, e assim no fim de tantos anos de trabalhos e de amarguras puderam unir-se os dois esposos.

Um irmão dela tentou vingar a honra da família supostamente ultrajada, e esperando o pintor próximo, da rua das Pretas, desfechou sobre ele um tiro de pistola, que o feriu gravemente.

Matos Vieira, resolveu, para viver sossegado, uma nova viagem a Roma, mas chegando a Sevilha em 1733, foi chamado a Lisboa, sendo nomeado pintor do rei com o ordenado mensal de 60$000 reis .

Esteve em Mafra, onde enviuvou em 1775, e com o desgosto pela perda da sua companheira, abandonou a pintura, e foi viver para o Beato António, passando ali os últimos anos da sua existência.

Algumas obras, que escaparam ao terramoto:

Painéis na igreja de S. Roque:

Santo António pregando aos peixes e Santo António prostrado diante de Nossa Senhora

Casa de Povolide

uns quadros de Santo António, S. Pedro, S. Paulo, a Família Sagrada, e Santa Bárbara,

Pertencente ao conde de Assumar

Sagrada Família

Convento do Menino de Deus

um grande painel representando S. Francisco,

A capela dos 7 altares da igreja de Mafra tem um grande quadro da Sacra Família.

na Junta do Comércio.

uma Senhora da Conceição,

Consta que na Biblioteca de Évora existe uma grande colecção de desenhos de Vieira Lusitano.


(Respigado de um artigo transcrito por Manuel Amaral no site Portal da História

domingo, 2 de Janeiro de 2011

António José de Almeida



Nasceu em Vale da Vinha ,Penacova a 17 de Julho de 1866
Faleceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1929

Era ainda aluno de Medicina em Coimbra quando publicou no jornal académico Ultimatum um artigo que ficou famoso, intitulado Bragança, o último, que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos.

Defendido por Manuel de Arriaga, acabou condenado a três meses de prisão.

Depois de terminar o curso, em 1895, foi para Angola e posteriormente estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe, onde exerceu medicina até 1904

Regressando a Lisboa nesse ano, foi para França onde estagiou em várias clínicas, regressando no ano seguinte. Montou consultório, primeiro na Rua do Ouro, depois no Largo de Camões, entrando então na política activa.Destacando-se desde logo pela sua eloquência,tornando-se um idolo nos comícios republicanos

Foi candidato do Partido Republicano em 1905 e 1906, sendo eleito deputado nas segundas eleições realizadas neste ano, em Agosto. Em 1906, em plena Câmara dos Deputados, equilibrando-se em cima duma das carteiras, pede aos soldados, chamados a expulsar os deputados republicanos do Parlamento, a proclamação imediata da república.

No ano seguinte adere à Maçonaria.

Foi preso por ocasião da tentativa revolucionária de Janeiro de 1908, dias antes do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. Posto em liberdade, continuou a sua acção demolidora pela palavra e pela pena, sobretudo enquanto director do jornal Alma Nacional.

Ministro do Interior do Governo Provisório, foi depois várias vezes ministro e deputado, tendo fundado em Fevereiro de 1912 o partido Evolucionista, que dirigirá como um partido republicano moderado organizado em torno do diário República, que tinha criado em Janeiro de 1911, e que também dirigia, opondo-se ao Partido Democrático de Afonso Costa, mas com o qual porém se aliou no governo da União Sagrada, em Março de 1916, ministério de que foi presidente.

Em 6 de Agosto de 1919 foi eleito presidente da República e exerceu o cargo até 5 de Outubro de 1923, sendo o único presidente que até 1926 ocupou o cargo até ao fim do mandato.

Durante o seu mandato deu-se o levantamento radical que desembocou na Noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados, por opositores republicanos, o chefe do governo da altura, António Granjo, assim como Machado Santos e Carlos da Maia. Nomeou 16 governos durante o seu mandato.

Os seus amigos e admiradores levantaram-lhe uma estátua em Lisboa, de autoria do escultor Leopoldo de Almeida e do arquitecto Pardal Monteiro, e coligiram os seus principais artigos e discursos em três volumes, intitulados Quarenta anos de vida literária e política, obra publicada em 1934.

Brito Camacho


Manuel de Brito Camacho nasceu em Aljustrel no dia 12 de Fevereiro de 1862.morreu em Lisboa a 19 de Setembro de 1934

Depois dos estudos primários frequentou o liceu de Beja que terminou em 1880. Partiu para Lisboa ficando à guarda de um tio. Em 1884 concluiu o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.

Ingressou no Exército Português como cirurgião-ajudante, Em 1891 e começou uma carreira como médico militar que o levaria a Coronel.

Brito Camacho entrou na política em 1893 quando se candidatou a deputado pelo círculo eleitoral de Beja nas listas republicanas, mas nunca tomou posse porque escreveu um artigo contra as instituições monárquicas no periódico Nove de Junho, de Beja, tendo sido suspenso por um ano e depois transferido para os Açores, como penalização.

Regressou ao continente em 1894 e em Abril fundou em Viseu O Intransigente, um jornal de crítica política e propaganda republicana e viria a fundar em Lisboa em 1906 o jornal a Luta, onde se revelou temível polemísta,convertendo-se no mais influente jornal republicano e no órgão oficioso do Partido Unionista de que Brito Camacho foi fundador e líder.


Em 1902 abandonou a medicina e dedicou-se exclusivamente ao jornalismo e à política.

Nas eleições realizadas depois do regicídio foi eleito deputado pelos republicanos e teve um papel muito importante na preparação do 5 de Outubro de 1910 sendo o elo de ligação entre republicanos e militares, dada a sua ligação ao exército.

A 23 de Novembro de 1910 foi nomeado Ministro do Fomento do Governo Provisório. Em 1912 reassumiu o cargo de director de A Luta e foi um dos protagonistas da cisão do Partido Republicano Português liderando a facção mais à direita do novo Partido da União Republicana.

Passou a desenvolver uma intensa acção jornalística e política assumindo-se como o principal opositor dos sucessivos governos formados pelo Partido Democrático. Em 1918, depois da eleição de António José de Almeida para a Presidência da Republica, afastou-se da actividade política, abandonou os cargos de liderança partidária e em 1920 recusou o convite para formar um governo apoiado pelo Partido Liberal Republicano.

Entre Março de 1921 e Setembro de 1923 exerceu as funções de Alto-Comissário da República em Moçambique. Depois da revolução de 28 de Maio de 1926 abandonou definitivamente a actividade política, retirando-se para a vida privada.

Para além de uma vasta obra jornalística e de comentário político, Brito Camacho é autor das seguintes obras:
  • Impressões de Viagem, 1902.
  • Contos e sátiras, 1920.
  • A Caminho d'Africa, 1923.
  • Os amores de Latino Coelho, 1923.
  • Quadros alentejanos, 1925.
  • Moçambique, Problemas Coloniais, 1926.
  • Jornadas, 1927.
  • D. Carlos, intimo, 1927.
  • Gente rústica, 1927.
  • Gente Vária, 1928.
  • Cenas da Vida, 1929.
  • De bom humor, 1930.
  • Gente bóer, 1930.
  • Por cerros e vales, 1931.
  • A Linda Emília, 1932.
  • Matéria vaga, 1934.
  • Política Colonial, 1936.
  • Rescaldo da guerra, 1936.
  • Questões nacionais, 1937.

sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

Paiva Couceiro


Henrique Mitchell de Paiva Couceiro
  • nasceu em Lisboa a 30 de Dezembro de 1861
  • morreu em Lisboa a 11 de Fevereiro de 1944
filho do general José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro e de Helena Isabel Teresa Mitchell, uma protestante irlandesa convertida ao catolicismo, que depois de educada num colégio de freiras em França, viera residir em Portugal como mestra das filhas do visconde do Torrão.




A mãe era de uma fé intensa e militante, razão pela qual Henrique Paiva Couceiro cresceu num ambiente de religiosidade exacerbada.pelo que a educação recebida e a duradoira influência materna terá levado a que no fim da vida Paiva Couceiro confessasse que lera muito poucos romances e que nunca fora ao teatro nem ao cinema.

Pelo contrário, ia diariamente à missa, quando não estava em campanha, e em campanha todos os dias lia a Imitação de Cristo, preparando-se para o supremo sacrifício.Terá considerado, em 1891, após o seu regresso das campanhas no sul de Angola, ingressar numa ordem religiosa.

Destinado à carreira das armas,assentou praça como voluntário no Regimento de Cavalaria Lanceiros de El-Rei (o Regimento de Cavalaria n.º 2),

A 24 de Junho de 1881, na véspera de ser promovido a alferes de artilharia, num acesso de raiva causado por um insulto banal, disparou cinco tiros da sua pistola de guerra num desconhecido que, nas palavras dos autos apresentados em conselho de guerra, roçara pelo ombro do réu no Chiado, proferindo uma frase injuriosa e ofensiva para a sua dignidade. O simples insulto fora razão suficiente para que, desvairado pelo insulto, Paiva Couceiro desferisse imediatamente cinco tiros, três dos quais acertaram no homem, que esteve 42 dias doente.

Vindo a ser condenado a dois anos de prisão militar vindo a ser comutada a pena na de seis meses da mesma prisão, regressando à escola do exercito em 26 de Outubro de 1882.

Foi promovido ao posto de capitão, oferecendo-se então para realizar, como voluntário, uma comissão de serviço nas colónias ultramarinas, onde então se desenvolvia um esforço de efectiva ocupação do território, consequência da Conferência de Berlim sobre a partição da África entre as potências coloniais europeias.

Chegado a Angola foi logo nomeado comandante do Esquadrão Irregular de Cavalaria da Humpata, um grupo de caçadores a cavalo, sediado na vila de Humpata, que fora criado por Artur de Paiva para combater os bandos de salteadores (designados por guerras) que então assolavam o planalto de Moçâmedes.

Regressado ao Bié, participou, com as forças de Artur de Paiva, na expedição punitiva que terminou na prisão e deposição do soba Dunduma (ou N’Dunduma) subjugando o reino do Bié. vingando a morte de Silva Porto.

A 17 de Fevereiro de 1891, o Ministério da Marinha e Ultramar deu por terminada a sua comissão de serviço ultramarino e ordenou o seu regresso a Portugal.

Coberto de glória e fama nacional, foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada.

Descontente com a vida de quartel, em 1893 pediu licença para servir na legião estrangeira do Exército Espanhol e combateu nos últimos meses da campanha de Melila, da Guerra do Rif então travada no Marrocos Espanhol, distinguindo-se a ponto de merecer a medalha espanhola de mérito militar.

Quando em Outubro de 1894 os povos do sul de Moçambique se rebelaram e atacaram Lourenço Marques, o governo presidido pelo regenerador Hintze Ribeiro, nomeou o antigo ministro progressista António Enes para o cargo de comissário régio em Moçambique, com a missão de esmagar a revolta dos povos autóctones e reafirmar a soberania portuguesa sobre a região, então ameaçada pelos britânicos, liderados por Cecil Rhodes, que consideravam os portugueses incapazes de manter a posse do território moçambicano.

Provavelmente devido à sua fama africanista granjeada em Angola, Paiva Couceiro foi convidado e aceitou o convite para o cargo de ajudante de campo do comissário régio em Moçambique.

A expedição desembarcou em Lourenço Marques a 18 de Janeiro de 1895. A situação encontrada não podia ser pior, pois a esmagadora maioria dos régulos da região estava contra os portugueses, estando estes encurralados em Lourenço Marques, incapazes de controlar as imediações da cidade, onde mesmo a ilha Xefina fora ocupada pelos insurgentes.

António Enes, desencadeou um conjunto de campanhas militares, elegendo como principal adversário Gungunhana, o rei dos vátuas e imperador de Gaza, de facto suserano da generalidade das tribos do sul de Moçambique.

Nestas campanhas, Paiva Couceiro teve acção notável, particularmente nos combates de Marracuene e Magul, travado a 2 de Novembro contra as forças de Gungunhana, sendo ferido neste combate.

No combate de Marracuene, travado a 2 de Fevereiro de 1895, Paiva Couceiro ganhou grande destaque, particularmente ao liderar as tropas que repeliram as forças inimigas que tinham penetrado o quadrado defensivo português, uma manobra considerada de extrema dificuldade e que exigia enorme coragem.

Em Agosto de 1895 foi feito cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis, como prémio pelo seu desempenho em Marracuene.

Demonstrando extraordinária coragem física, Paiva Couceiro ficou célebre, nomeadamente, na luta contra as forças de Gungunhana. Pelos seus feitos militares, foi alvo de diversas condecorações e homenagens, particularmente após o aprisionamento de Gungunhana e a sua extradição para Portugal.

Chegado a Lisboa, foi feito comendador da Torre e Espada, com uma pensão anual de 500$000 réis. Foi o primeiro e provavelmente o único oficial Português a ser agraciado, até hoje, com três graus da Torre e Espada.

Nesse mesmo ano de 1896 casou com Júlia Maria de Noronha,filha e única herdeira do 3.º conde de Parati, tendo como padrinho do casamento o próprio rei D. Carlos I.

Em entrevista e intervenções públicas, assume-se como um novo Nuno Álvares Pereira, puro e impoluto, pronto a salvar Portugal.

O seu pensamento político, imbuído de nacionalismo e de catolicismo, precede em muitos aspectos o Integralismo Lusitano, no qual aliás mais tarde se integraria, embora sejam claras as influências de intelectuais como Oliveira Martins e Guerra Junqueiro, em especial do Finis Patriae deste último.

Apesar das suas ligações à Casa Real, a 6 de Dezembro de 1902 foi transferido compulsivamente para Évora. Esteve virtualmente exilado naquela cidade até Novembro de 1903, quando a subida ao poder do ministério progressista chefiado por José Luciano de Castro, o transferiu para o Grupo de Baterias a Cavalo de Queluz, onde permaneceu até 1906.

Durante o período de permanência em Évora e nos meses subsequentes foi-se progressivamente aproximando de João Franco e das ideias ordeiras do Partido Regenerador-Liberal,

Em 1905, após as eleições gerais de 12 de Fevereiro (a 37.ª legislatura) e quando se tornou claro que o rei D. Carlos I pretendia finalmente apoiar a reforma do regime, o que eventualmente passaria pela entrega do poder a João Franco, Paiva Couceiro e outros ‘’africanistas’’ famosos, entre os quais Freire de Andrade, Aires de Ornelas, Ivens Ferraz e João Baptista Ferreira, decidiram-se finalmente a abandonar a posição pretensamente supra partidária em que se tinham colocado e inscreveram-se no Partido Regenerador-Liberal, anunciando que o faziam para que os portugueses não perdessem a confiança no futuro da raça.

A sua presença no parlamento, inicialmente discreta e centrada no trabalho das comissões a que pertencia, foi-se progressivamente alargando e afirmando, essencialmente em matérias coloniais e militares.

Revelou-se um opositor assertivo das políticas progressistas e um apoiante das medidas ordeiras, mesmo que anti-democráticas. Sempre que se falava das colónias, em especial de Angola, reagia com paixão, defendendo que aquela colónia era o único recurso para tornar maior este Portugal tão pequeno.

A sua carreira parlamentar terminou quando a 2 de Maio de 1907 o presidente do Governo, João Franco, resolveu separar-se dos progressistas

Tendo falecido no dia 1 de Maio daquele ano (1907) o governador-geral de Angola, Eduardo Augusto Ferreira da Costa, aparentemente por sugestão do rei D. Carlos I, o novo Ministro da Marinha e Ultramar, o seu camarada africanista Aires de Ornelas, convida Paiva Couceiro para o lugar de governador-geral de Angola.

O facto de ter sido apoiante de João Franco em boa parte explica ter sido nomeado para o cargo, que obviamente era necessariamente da confiança política do chefe do Governo.

Ainda assim, apesar do governo de João Franco ter caído em Fevereiro de 1908, vítima do regicídio que vitimou D. Carlos, Paiva Couceiro manteve-se no cargo até 22 de Julho de 1909, apesar dos protestos da população europeia que queria a sua continuação no governo


Chegado a Lisboa em princípios de Julho, a 22 daquele mês foi oficialmente exonerado a seu pedido. Apesar dos constantes escândalos em que mergulhara a política portuguesa, em particular a revelação do gigantesco desfalque no Crédito Predial Português, Paiva Couceiro manteve-se relativamente arredado da vida pública, prestando em Setembro provas para promoção a major.

. Depois envolve-se num conjunto de pretensas conspirações inconsequentes, aparentemente visando implantar um regime monárquico liberto do parlamento, defendendo, paradoxalmente, muitas das ideias que depois os republicanos anti-democráticos adoptariam.

Sem que os seus apelos fossem ouvidos, o regime degrada-se rapidamente e a 5 de Outubro ocorre a esperada revolução e é implantada a República Portuguesa. Paiva Couceiro foi um dos poucos comandantes militares que tentou, seriamente, travar os revoltosos, sem sucesso.

Em 1910, aquando da instauração da República, Paiva Couceiro contava-se entre os defensores da causa monárquica, com a sua artilharia instalada no Torel, foi o único oficial que fez fogo sobre o acampamento Republicano da Rotunda e o Parque Eduardo VII.

Sentindo-se abandonado pelo resto das tropas Monárquicas, e depois de bombardear a Rotunda, marchou para Sintra a fim de se juntar ao Rei. Aí veio a saber que o Rei partira para Mafra, Paiva Couceiro aproximava-se de Mafra quando foi informado que o Rei D. Manuel II tinha embarcado na Ericeira.

Por decisão superior, e perante tal situação, recolheu com as suas tropas ao quartel .

Apesar de ser conhecido como Monárquico irredutível, logo no dia 6 de Outubro, Paiva Couceiro era procurado por um enviado do Governo Provisório que queria saber o que viria a ser a sua atitude perante o novo regime , que terá dito

"Reconheço as instituições que o Povo reconhecer. Mas se a opinião do Povo não for unânime, isto é, se o Norte não concordar com o Sul, estarei até ao fim ao lado dos fiéis à tradição. E se acaso se desse uma intervenção estrangeira para sustentar a Monarquia, então passar-me-ia para o lado da República".

Comandou a incursão monárquica de 1911; a 4 de Outubro de 1911 as suas tropas entram em Portugal por Cova de Lua, Espinhosela e Vinhais, onde foi hasteada na varanda da Câmara Municipal a bandeira azul e branca, e tomam Chaves.

Três dias mais tarde, derrotadas pelas forças republicanas, as tropas de Paiva Couceiro retiram-se para a Galiza.

Em Dezembro de 1911 participa nas reuniões que trataram da "questão dinástica" entre D. Manuel II e seu primo D. Miguel e que veio a ter o seu epílogo no Pacto de Dover cujo projecto redige em Londres a 30 de Dezembro de 1911.

A de 6 de Julho de 1912 comanda nova incursão, a 2a incursão monárquica, em que as suas tropas são de novo derrotadas, também em Chaves, a 8 de Julho desse ano.

Pouco antes da 2a incursão, a 17 de Junho de 1912, foi julgado à revelia pelo Tribunal do Segundo Distrito do Porto, sendo Paiva Couceiro condenado a seis anos de prisão maior celular ou dez anos de degredo e "esta pena relativamente suave foi dada em atenção aos serviços prestados à Pátria.

Mais tarde, em 1915, de volta ao País após o seu primeiro exílio, foi convidado para Governador de Angola, pelo ainda recente Governo Republicano, representado por Araújo de Sá, Oliveira Jericote e outro, que o procuraram na sua casa de Oeiras.

Paiva Couceiro recusou servir o novo regime e instalou-se em Espanha onde preparou a restauração da Monarquia, movimento que ficou conhecido por Monarquia do Norte.

Em 1919 proclamou a Monarquia do Norte, de curta duração, da qual foi o Presidente da Junta Governativa do Reino.

Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais, Paiva Couceiro vê a sua grande oportunidade de lutar pela restauração do regime em que acreditava. Assim, volta a organizar uma incursão dos monárquicos exilados, consegue subverter as instituições da parte do território português que ia do Minho à linha do Vouga, e, em nome do rei D. Manuel II de Portugal, exilado na Grã-Bretanha, e estrategicamente, restaura a Carta Constitucional de 1826.

Abrangido por uma amnistia decretada em Janeiro de 1924, volta ao País mas é de novo exilado pelo salazarismo a 16 de Setembro de 1935, por seis meses, por ter criticado publicamente a política colonial do regime.

Volta para Lisboa, vindo de Tuy onde estivera exilado, a 13 de Janeiro de 1937.

Numa famosa carta dirigida ao Presidente do Conselho de Ministros, Dr. Oliveira Salazar, a 31 de Outubro de 1937, foi preso pela "Policia de Defesa Social e Politica" durante 6 dias a 13 de Novembro desse ano, condenado a dois anos de exílio e forçado a retirar-se da vida política, sendo enviado, apesar dos seus 76 anos (!), para Granadilla de Abona, colónia Espanhola de Santa Cruz de Tenerife, nas Canárias.

Em 1939, António de Oliveira Salazar permitiu o seu regresso a Portugal, onde acabou por viver os últimos anos da sua vida.

Dedicou-se à escrita, tendo publicado uma extensa obra dedicada essencialmente às questões coloniais e à temática do ressurgimento nacional, com um cunho nacionalista que o aproxima do integralismo lusitano.

origem : wikipédia

quarta-feira, 6 de Outubro de 2010

José Relvas



  • Nasceu na Golegã a 5 de Março de 1858
  • Morreu em Alpiarça a 31 de Outubro de 1929
Era filho de Carlos Relvas um abastado lavrador e proprietário, e de D. Margarida Amália de Azevedo Relvas.

Matriculou-se inicialmente em Coimbra para tirar Direito mas viria a abandonar esse curso para seguir o Curso de Letras que viria a concluir em 1880, defendendo tese com O Direito feudal

José Relvas viria a aderir ao Partido Republicano já perto dos 50 anos, no contexto da crise política provocada pela chamada ao poder, por parte do rei. D.Carlos a João Franco

Membro do directório do Partido Republicano Português, formado em 1909, com a incumbência de fazer a revolução

Foi o "escolhido" para proclamar a República, a 5 de Outubro da varanda da Câmara de Lisboa porque era um dos dirigentes "mais antigos" do directório do Partido Republicano, lavrador abastado que granjeou prestígio nacional, sobretudo enquanto líder associativo dos agricultores ribatejanos.

Foi ministro das finanças do respectivo do Governo Provisório a partir de 12 de Outubro até à auto-dissolução em 4 de Setembro de 1911, sendo ele o responsável, nomeadamente, pela introdução da reforma monetária que criou o escudo.

Depois exerceu o cargo de embaixador de Portugal em Espanha entre 1911 e 1914, quando regressou a Portugal para assumir o seu lugar no Senado, por entender que a sua legitimidade vinha do cargo para o qual havia sido eleito. Acabou por resignar em 1915.

Esteve em seguida bastantes anos afastado da actividade política dedicando-se aos seus negócios, até ser nomeado primeiro ministro, a 27 de Janeiro de 1919,tendo exercido aquele cargo até 30 de Março do mesmo ano.

Abastado lavrador e homem de vasta cultura, reuniu valiosas colecções artísticas na sua casa em Alpiarça que viria a transformar por testamento um ano antes de morrer no museu da casa dos Patudos.

O Arquivo Histórico da Casa dos Patudos preserva acervo documental por si legado maisa a Quinta dos Patudos, a Casa, a colecção de arte, a biblioteca e o arquivo, ao Município de Alpiarça, impondo que a residência fosse conservada como museu e mantivesse a designação de Casa dos Patudos


terça-feira, 27 de Julho de 2010

António Teixeira de Sousa




  • nasceu em Celeirós a 5 de Maio de 1857
  • faleceu no Portoem 5 de Junho de 1917
  • foi um médico termalista transmontano, escritor, deputado, par do reino, ministro de estado e líder do Partido Regenerador.
  • Presidiu ao último governo da monarquia constitucional de Portugal, sendo deposto pela Revolução de 5 de Outubro de 1910.

  • Biografia

António Teixeira de Sousa frequentou o Liceu de Vila Real a partir de 1874, sendo um aluno aplicado e distinto.

Inscreveu-se em 1877 nos preparatórios de medicina na Academia Politécnica do Porto, entrando no ano seguinte para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1883, com uma dissertação sobre Enervação do coração.

Foi aluno brilhante, recebendo o Prémio Macedo Pinto, instituído para galardoar o médico mais distinto que saísse daquela Escola.

No mesmo ano de 1893, foi nomeado médico municipal de Valpaços, lugar que trocou no ano seguinte pelo de director técnico do Estabelecimento Termal das Pedras Salgadas, cargo que ocupou até 1897.

Em 1895 foi nomeado cirurgião ajudante do exército

Accionista da Empresa das Águas do Vidago, foi eleito procurador à Junta Geral do Distrito de Vila Real, pelo concelho de Alijó, e como este lugar fosse incompatível com o de médico militar, abandonou o exército no mesmo ano, servindo até à extinção das Juntas Gerais, várias vezes como membro da comissão executiva

Entretanto exercia a clínica termal nas Pedras Salgadas e em Vidago e publicou algumas obras sobre termalismo.

Regenerador, em 1889 foi eleito deputado por Alijó, iniciando uma carreira política em Lisboa, que o levaria à liderança do partido e à presidência do ministério.

Como membro destacado do Partido Regenerador, assumiu nos últimos anos da monarquia um crescente protagonismo:

  • Inspector da Companhia de Tabacos de Portugal de 1891 a 1900;
  • Administrador Geral das Alfândegas de Maio a Outubro de 1904;
  • Governador do Banco Nacional Ultramarino de Fevereiro de 1909 a 1910;
Nos governos regeneradores de Hintze Ribeiro exerceu os cargos de
  • Ministro da Marinha e Ultramar e Ministro do Ultramar de 25 de Junho de 1900 a 28 de Fevereiro de 1903,
quando fundou em Lisboa o Hospital Colonial , constituindo ao mesmo tempo o ensino da medicina tropical

  • Ministro dos Negócios da Fazenda, desde aquela data até 20 de Outubro de 1904.
  • Retoma a pasta da fazenda de 21 de Março a 19 de Maio de 1906, em novo governo de Hintze Ribeiro, onde representava a tendência percebida como mais próxima de João Franco.
Introduziu reformas fiscais e solucionou a questão dos tabacos

Eleito líder do Partido Regenerador a 23 de Dezembro de 1909, quase de imediato forma governo a convite do rei D. Manuel II.

Governou de 26 de Junho a 4 de Outubro de 1910 (102 dias), sendo deposto pela revolução republicana de 5 de Outubro de 1910.

Foi o último Presidente do Conselho (Primeiro Ministro) da monarquia constitucional portuguesa
.
Era amigo pessoal de Afonso Costa, Bernardino Machado, Brito Camacho e França Borges, sendo reputado um liberal à antiga e adepto confesso das liberdades cívicas, de tal forma que quando em 28 de Janeiro de 1908 foi jugulada uma conspiração conjugada entre dissidentes progressistas e republicanos, o líder progressista José de Alpoim procurou refúgio em sua casa.

Afastado da vida política pelo advento da República, faleceu em Lisboa em 1917.

Obras principais

  • 1906-A questão dos tabacos
  • 1912-Para a história da revolução

sábado, 24 de Julho de 2010

José Luciano de Castro



  • nasceu na Oliveirinha distrito de Aveiro a 14 de Dezembro de 1834
  • morreu a 9 de Março de 1914

  • foi um advogado, jornalista e político que se notabilizou como um dos fundadores do Partido Progressista, ao qual presidiu a partir da morte de Anselmo José Braamcamp (1885).
  • Foi deputado, ministro e Presidente do Conselho de Ministros em diversas ocasiões, incluindo durante o ano de 1890, quando a 11 de Janeiro Portugal recebeu o ultimato britânico, do qual resultou a queda do seu governo e o início de uma longa crise política que desembocou na implantação da República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910.
  • Foi ainda par do Reino, conselheiro de Estado; director geral dos Próprios Nacionais; vogal do Supremo Tribunal Administrativo e governador da Companhia Geral de Crédito Predial Português.
Alcunhado de "a velha raposa", foi certamente uma das mais proeminentes figuras da cena política portuguesa nas últimas três décadas da Monarquia Constitucional Portuguesa, à qual se manteve sempre fiel, mesmo após o seu derrube em 1910.


Descendia de uma família aristocrática que, pela linha materna, se cruzava com a do marquês de Pombal.


Tendo declarado a sua data de nascimento como sendo 1833 em vez de 1835, o ano em que realmente nascera, completou estudos secundários em Aveiro e obteve um ingresso precoce na Universidade de Coimbra, em cujo curso de Direito se matriculou no ano lectivo de 1849-1850.

Formou-se bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra em 1854, com apenas 19 anos de idade, dedicando-se em seguida à advocacia, ao jornalismo e à política. Nesse mesmo ano de 1854, apesar de ainda não ter perfeito o requisito constitucional de ter 21 anos de idade, graças à falsificação que lhe permitira o ingresso antecipado na Universidade, foi eleito deputado pelo círculo plurinominal da Feira, sendo com toda a probabilidade o mais jovem parlamentar eleito de todo o período monárquico português.

A partir de 1858 passou a viver na cidade do Porto, onde colaborou com o Nacional, Comércio do Porto e Jornal do Porto. Escreveu ainda para a Gazeta do Povo, País e Progresso, todos de Lisboa.

Como ministro e como deputado, desde 1854, apresentou às cortes diferentes propostas e projectos de lei, conforme consta do Diário das Sessões da Câmara dos deputados, acompanhados de relatórios importantes. Pertenceu a grande número de comissões parlamentares e extra- parlamentares.

Casou em 1865 com Maria Emília Cancela Seabra, filha de Alexandre Ferreira de Seabra, advogado, jurisconsulto e presidente da Câmara Municipal de Anadia, que seria autor de um projecto de Código de Processo Civil concluído em 1869.

Na sequência do casamento, radicou-se em Anadia, estabelecendo por essa via grande ligação ao mundo vinhateiro. A sua presença na região atraiu muitas das mais altas personalidades da política da época à Bairrada e a Aveiro, o que aliado ao seu interesse por projectos locais trouxe vantagens para o desenvolvimento regional, salientando-se, entre as maiores realizações que apoiou, a construção do Palace Hotel, no Buçaco

  • Foi pela primeira vez chamado a integrar um governo quando o duque de Loulé o convidou para o cargo de Ministro da Justiça e Cultos do terceiro governo do Partido Histórico e 30.º da Monarquia Constitucional Portuguesa, tendo tomado posse a 11 de Agosto de 1869 e mantendo-se no cargo até à queda daquele executivo a 20 de Maio de 1870.

Por esta altura foi um dos primeiros políticos portugueses a defender claramente o rotativismo e a necessidade de consolidar o sistema partidário, ao declarar a 13 de Janeiro de 1871, em plena Câmara dos Deputados e em resposta a Fontes Pereira de Melo, que ‘’é necessário que se organizem dois partidos, somente; um – mais ou menos conservador, e outro – mais ou menos avançado’’.

Este entendimento fez dele, a partir dessa época e até ao fim da Monarquia, um dos pólos do sistema de poder em Portugal, dominando mesmo a fase crepuscular do regime.

  • Voltou ao executivo com a pasta de Ministro do Reino a 1 de Junho de 1879 no primeiro governo do Partido Progressista presidido por José Anselmo Braamcamp, nele permanecendo até 25 de Março de 1881. A pasta do Reino era tradicionalmente a mais importante do executivo, o que dá uma medida do capital político que já granjeara. Como ministro apresentou em 4 de Fevereiro de 1880 uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial, que não chegou a ser discutida na Câmara dos Pares, apesar de aprovada na Câmara dos Deputados.
Em 1876 foi um dos fundadores do Partido Progressista, partido a que presidiria após a morte de Anselmo José Braamcamp, ocorrida em 1885. Assumiu a liderança dos progressistas a 10 de Dezembro daquele ano, com o apoio de Henrique de Barros Gomes e Joaquim Pedro de Oliveira Martins e a oposição de Emídio Navarro e Mariano Cirilo de Carvalho.

  • Foi pela primeira vez chamado a formar governo, assumindo as funções de Presidente do Conselho de Ministros, a 20 de Fevereiro de 1886, mantendo-se no cargo até 14 de Janeiro de 1890, acumulando a pasta de Ministro do Reino. Para os padrões da política portuguesa da época foi um governo duradouro, tendo durante o mandato vencido as eleições gerais de 6 de Março de 1887 (113 deputados) e de 20 de Outubro de 1889.
Foi nomeado par do reino em 1887, tomando assento na respectiva câmara a 21 de Abril desse ano.

  • Foi chamada pela segunda vez à chefia do governo a 7 de Fevereiro de 1897, tendo permanecido no poder até 25 de Junho de 1900. Estabeleceu como objectivos do seu governo assegurar a escrupulosa administração dos dinheiros públicos e impedir que as receitas do Estado sejam aplicadas, no todo ou em parte, por modo diverso do que determinam os preceitos legais.
  • Por decreto de 20 de Outubro de 1904 foi nomeado para presidir ao Conselho de Ministros pela terceira e última vez. Governou entre 20 de Outubro de 1904 e 19 de Março de 1906, sem acumular qualquer pasta.
  • Voltou a ser nomeado Presidente do Conselho de Ministros por decreto de 27 de Dezembro de 1905.
Entretanto fora nomeado para suceder a Fontes Pereira de Melo nas funções de governador da Companhia Geral do Crédito Predial Português, cargo que exerceu, alternando com as funções ministeriais, de 31 de Março de 1887 a 4 de Junho de 1910, data em que se demitiu na sequência de um grande escândalo financeiro, o último da Monarquia, que quase arruinou aquela empresa.

Era o fim da carreira, a meses do fim do regime: a 5 de Outubro daquele ano é proclamada a república e Portugal e apesar da sua casa em Lisboa ter sido invadida, não foi molestado.

Permaneceu em Lisboa algum tempo, em frágil estado de saúde, mas vendo o caso do Crédito Predial resolver-se de forma que lhe não foi inteiramente desfavorável. Doente, no Verão de 1913 partiu para a sua casa em Anadia, onde faleceu no ano seguinte.

A sua ligação a Anadia é recordada no nome da unidade de saúde que serve aquela localidade, o Hospital de José Luciano de Castro.