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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Tchaikovsky-Violino concerto em Ré maior op. 35

,,Em 1881 a 4 de Dezembro, Tchaikovsky estreia em Viena o seu Violin Concerto em Ré maior, op. 35 interpretado pela Vienna Philharmonic Orchestra, regida por Hans Richter e com Adolf Brodsky no violino.Tchaikovsky dedicou seu concerto para violino a Adolf Brodsky

Concerto para Violino em Ré maior, Op. 35 de Tchaikovsky é uma das obras-mestras do repertório violinístico e uma das peças mais amadas — e inicialmente mais controversas — do século XIX.

Composição e contexto

  • Composto em 1878, durante um período emocionalmente turbulento para Tchaikovsky.

  • Escrito na Suíça, logo após o fim do seu casamento desastroso.

  • Originalmente dedicado ao violinista Leopold Auer, que considerou o concerto “intocável” e se recusou a tocá-lo, o que atrasou a estreia.

Estreia

  • A crítica da estreia foi dura (Eduard Hanslick escreveu que “o violino é chicoteado até sangrar”), mas o público e os violinistas acabaram por o consagrar rapidamente.

Características musicais

O concerto é conhecido por:

  • Virtuosismo extremo, mas sempre ligado a uma grande expressividade melódica.

  • Lirismo típico de Tchaikovsky, com melodias amplas e de grande apelo emocional.

  • Equilíbrio entre brilho técnico e poesia, tornando-o obrigatório no repertório de qualquer grande violinista.

♪ Estrutura

I. Allegro moderato (Ré maior → Ré menor → Ré maior)
Extenso, cheio de passagens técnicas brilhantes, mas também de enorme beleza melódica. O tema principal é luminoso e expansivo.

II. Canzonetta: Andante (Sol menor)
Um dos movimentos lentos mais delicados de Tchaikovsky. Lírico, introspectivo, quase vocal — curta “pausa poética” entre dois movimentos cheios de energia.

III. Finale: Allegro vivacissimo (Ré maior)
Movimento de caráter folclórico e dançante, com energia rítmica contagiante. Exige fôlego, precisão e virtuosismo extremo — um verdadeiro final apoteótico.

🎧 Importância

Hoje é:

  • Um dos cinco concertos para violino mais tocados em todo o mundo.

  • Um marco tanto técnico quanto expressivo para o intérprete.

  • Uma síntese do espírito russo romântico com brilho universal.

 

sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Saint-Saenz-Piano Concerto nº4 em dó op44

Em 1875,a 31 de outubro Saint-Saëns Piano estreia em Paris o seu Piano Concerto No. 4 em dó Op. 44, conduzido por Edouard Colonne, também  sendo solista.

 O concerto é dedicado a Anton Door, professor de piano no Conservatório de Viena. Continua a ser um dos concertos para piano mais populares de Saint-Saëns, perdendo apenas para o Concerto para piano nº 2 em sol menor.

é uma obra fascinante, muito menos tocada que o 2º, mas de uma complexidade e originalidade estrutural que a tornam singular dentro do repertório romântico.

Estrutura inovadora:

Diferente da forma tradicional em três movimentos, Saint-Saëns compôs este concerto em dois grandes movimentos, cada um subdividido internamente em várias seções contrastantes. Isso cria um fluxo contínuo, quase sinfônico, em que temas reaparecem e se transformam — algo que antecipa ideias cíclicas de compositores posteriores.

O piano como narrador e não apenas virtuose:
Aqui o piano não é só o instrumento solista que domina a orquestra — ele dialoga e tece texturas com ela. A escrita pianística é densa, mas não ostentatória; a virtuosidade é intelectual e arquitetônica, mais que pirotécnica.

Caráter e contraste:
O primeiro movimento começa quase como uma fuga barroca, com austeridade e contraponto, mas logo se abre em lirismo e dramatismo.
O segundo movimento, mais longo, alterna entre momentos de serenidade lírica e passagens impetuosas, mostrando aquele Saint-Saëns elegante, de ironia refinada e equilíbrio clássico — mesmo quando a emoção transborda.

Clima geral:

Menos teatral que o 2º Concerto, mas mais filosófico e interior, o 4º tem um ar de meditação sobre a forma e sobre o próprio diálogo entre o solista e o todo. É uma peça de maturidade (1875), composta no auge da segurança técnica e da consciência estética do compositor.  

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Verdi-Requiem 1967

o Requiem de Verdi tem uma estrutura monumental, fiel ao texto litúrgico tradicional da Missa pro defunctis, mas moldada com o drama e a teatralidade típicos de Verdi.

A obra está dividida em sete grandes partes, que por sua vez contêm seções internas distintas. Eis o mapa completo:


1. Requiem e Kyrie

  • “Requiem aeternam” — o coro sussurra uma prece pelos mortos, quase em murmúrio, num clima de piedade e penumbra.

  • “Kyrie eleison” — introdução dos quatro solistas (soprano, mezzo-soprano, tenor, baixo) em diálogo implorando misericórdia.
    👉 Função: abertura litúrgica, de súplica e recolhimento.


2. Dies Irae

A parte mais longa e dramática, verdadeira alma da obra. Divide-se em várias seções internas que descrevem o Juízo Final.

  • “Dies irae” — explosão apocalíptica; o terror do dia da ira divina.

  • “Tuba mirum” — fanfarras de trombetas chamam os mortos ao julgamento.

  • “Mors stupebit” — baixo solista descreve o espanto da morte.

  • “Liber scriptus” — mezzo-soprano canta o livro do destino, solene e profético.

  • “Quid sum miser” — trio dos solistas (soprano, mezzo e tenor) pergunta: “Que direi eu, miserável, quando o Juiz vier?”

  • “Rex tremendae” — invocação poderosa: “Rei de tremenda majestade.”

  • “Recordare” — dueto feminino de rara doçura, pedindo perdão.

  • “Ingemisco” — ária do tenor, plena de arrependimento e esperança.

  • “Confutatis” — o baixo implora para ser chamado entre os benditos.

  • “Lacrimosa” — coro e solistas se unem no lamento final, a humanidade inteira em lágrimas.
    👉 Função: descrição do julgamento e súplica pela salvação.


3. Offertorio

  • “Domine Jesu Christe” — súplica pelos mortos.

  • “Hostias” — trio sereno e suspenso, oferecendo o sacrifício por eles.
    👉 Função: intercessão pelos defuntos, de tom meditativo.


4. Sanctus

  • Canto fugado para duplo coro.
    👉 Função: celebração jubilosa e contrapontística — o louvor após a tempestade do Dies irae.


5. Agnus Dei

  • Dueto de soprano e mezzo-soprano com coro respondendo em ecos.
    👉 Função: pedido de paz e repouso eterno.


6. Lux Aeterna

  • Trio (mezzo, tenor e baixo) em atmosfera de luz e serenidade.
    👉 Função: evocação da luz eterna que guia as almas.


7. Libera me

  • O soprano domina.

  • Reaparece o tema do Dies irae, num último confronto com o medo.

  • Alternância entre terror e súplica até o final pianíssimo: “Libera me, Domine, de morte aeterna.”
    👉 Função: oração final — a alma, sozinha, diante de Deus.


A obra toda forma um arco dramático:
começa na escuridão (Requiem), passa pela tempestade (Dies irae), encontra respiro na fé (Offertorio, Sanctus, Agnus Dei, Lux Aeterna), e termina numa solidão comovente (Libera me).

É como se Verdi escrevesse não apenas uma missa, mas uma viagem espiritual, do medo à esperança, da carne à eternidade.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Schubert-Sinfonia nº2 em si bemol maior D.125

Em 1877 a 20 de outubro,  Franz Schubert estreia em Berlim a sua Sinfonia nº2 em si bemol maior D.125 Aqui a interpretação é da Frankfurt Radio Symphony ∙ Andrés Orozco-Estrada, Dirigent ∙ 

Sinfonia n.º 2 é uma das obras orquestrais mais interessantes do seu período juvenil — composta em 1814–1815, quando ele tinha apenas 17 ou 18 anos. Embora ainda revele a influência forte de Haydn, Mozart e Beethoven, já se percebe nela uma voz própria, especialmente no tratamento melódico e no lirismo característico de Schubert.

I. Largo — Allegro vivace (Si bemol maior)

A introdução lenta (Largo) tem um caráter quase solene, abrindo espaço para um Allegro vivace leve, cheio de energia juvenil. Nota-se uma clara herança clássica — o uso de forma sonata é bastante disciplinado — mas Schubert tempera isso com melodias cantáveis e um sentido harmônico mais aventureiro do que era comum em Haydn, por exemplo. O desenvolvimento modula com liberdade surpreendente para um compositor tão jovem.

II. Andante (Mi bemol maior)

Este segundo movimento é uma série de variações sobre um tema simples e gracioso. Cada variação apresenta novas cores instrumentais e mudanças de caráter: ora delicado, ora mais vigoroso. Aqui Schubert mostra já um talento especial para orquestração clara e para melodias que parecem quase vocais, como se uma canção estivesse escondida na textura instrumental.

III. Menuetto: Allegro vivace — Trio (Si bemol maior / Sol menor)

O Minueto é ritmicamente incisivo e lembra bastante Beethoven nos seus scherzi iniciais, embora mantenha o título tradicional “Menuetto”. O Trio, em Sol menor, cria um contraste mais sombrio e dramático, antes do retorno ao clima mais jovial do Minueto. Aqui se nota um jogo expressivo entre luz e sombra que antecipa o Schubert maduro.

IV. Presto (Si bemol maior)

O Finale é vibrante, cheio de energia rítmica e vitalidade. A escrita orquestral é ágil, e Schubert mostra domínio da forma rondó-sonata, com um tema principal muito marcante. Há ecos do espírito lúdico de Haydn, mas com um colorido harmônico mais pessoal e fresco. É um desfecho alegre e brilhante, típico de uma sinfonia juvenil, mas tecnicamente muito bem construída.

Em contexto histórico e estilístico

  • A Sinfonia n.º 2 foi escrita pouco depois da n.º 1 (D. 82), ainda na Viena do pós-Napoleão.

  • Não foi publicada nem amplamente executada durante a vida de Schubert.

  • Orquestra clássica relativamente pequena, sem trombones (como nas sinfonias iniciais).

  • Mostra já a sua inclinação para o lirismo melódico, contrastando com a estrutura clássica herdada.

  • É uma obra excelente para perceber como Schubert assimila a tradição clássica e começa a transformá-la.

Em resumo:

A Sinfonia n.º 2 é uma obra juvenil, mas refinada, cheia de vitalidade, com momentos de genuíno lirismo schubertiano. Não tem o peso dramático das últimas sinfonias, mas tem um frescor e uma elegância que a tornam uma joia do repertório clássico inicial de Schubert.. 

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Brahms-Concerto para violino em ré maior op.77

O Concerto para Violino em Ré maior, Op. 77, de Johannes Brahms, é uma das obras mais monumentais do repertório violinístico, frequentemente considerado, ao lado dos de Beethoven, Mendelssohn e Tchaikovsky, um dos "grandes concertos românticos" para violino. Algumas notas sobre ele:
  • Composição e estreia:
    Foi escrito em 1878, numa fase madura de Brahms. Dedicou-o ao violinista húngaro Joseph Joachim, grande amigo e conselheiro musical, que também colaborou em revisões da parte solista. A estreia ocorreu em Leipzig em 1879, com Joachim como solista e Brahms a reger.

  • Estrutura:
    O concerto tem três movimentos, mas de caráter bastante singular:

    1. Allegro non troppo – imenso, quase sinfônico em dimensão, com grande diálogo entre solista e orquestra. O violino não é mero protagonista, mas parte integrante de uma arquitetura orquestral complexa.

    2. Adagio – momento lírico de rara beleza, em que o oboé abre com um tema que depois é desenvolvido pelo violino solista. Muitos consideram este movimento uma das passagens mais poéticas do romantismo.

    3. Allegro giocoso, ma non troppo vivace – Poco più presto – final com espírito de dança húngara, vibrante e enérgico, refletindo também a influência de Joachim, que era húngaro.

  • Caráter e recepção:
    Na época, alguns violinistas acharam a parte solista "difícil demais" e até "anti-violínistica", porque Brahms escreveu de modo sinfônico, com grande densidade harmônica, exigindo tanto virtuosismo quanto profundidade interpretativa. Hoje, porém, essa abordagem é justamente o que faz dele um pilar do repertório.

  • Interpretação:
    O concerto exige do intérprete não só técnica refinada, mas também maturidade musical e capacidade de diálogo com a orquestra. É uma obra em que o virtuosismo está sempre subordinado à expressão musical.

Muitos críticos dizem que o concerto de Brahms é mais do que uma peça para solista com acompanhamento — é quase uma sinfonia com violino obbligato.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Sibelius-Sinfonia nº7 em dó maior op.105

, A Sinfonia nº 7 em dó maior, op. 105 de Jean Sibelius é uma obra-prima singular e uma das sinfonias mais inovadoras do repertório. Concluída em 1924, essa peça destaca-se por sua estrutura contínua e coesa, condensando toda a forma sinfônica em um único movimento de cerca de 20 minutos.

O que faz essa sinfonia tão especial é a forma como Sibelius trabalha a transição orgânica entre os temas, evitando divisões rígidas em movimentos separados. Ele utiliza mudanças de tempo sutis e o desenvolvimento contínuo das ideias musicais, criando uma sensação de fluxo natural. A introdução majestosa já estabelece o caráter solene da obra, com o trombone apresentando um motivo grandioso que retorna ao longo da peça, quase como um "hino" interno.

A harmonia é rica e muitas vezes inesperada, oscilando entre tonalidades de maneira quase imperceptível. A instrumentação é econômica, mas profundamente expressiva, com um uso magistral das cordas e dos sopros para criar texturas que parecem expandir e contrair como se fossem organismos vivos.

Esta sinfonia marca o fim do ciclo sinfônico de Sibelius e, de certa forma, simboliza sua despedida da composição orquestral. Depois dela, ele praticamente deixou de escrever música, entrando em um longo silêncio criativo que duraria o resto de sua vida 

No ano de 1924 a 24 de Março, Sibelius estriou  esta sinfonia em Estocolmo  com o próprio compositor na direcção da orquestra.

Aqui a interpretação é da Wiener Philharmonia Orchestra dirigida por Leonard Bernestein

   

sábado, 22 de março de 2025

Mahler-Sinfonia nº09 em ré maior

,A Sinfonia nº 9 em Ré Maior de Gustav Mahler é uma obra monumental, carregada de emoção e marcada por um senso profundo de despedida e transcendência. Composta entre 1908 e 1909, foi a última sinfonia completa de Mahler, e muitos a interpretam como sua despedida do mundo, pois ele já estava doente e consciente da proximidade da morte.

 Um desempenho típico leva cerca de 75 a 90 minutos. Uma pesquisa com maestros elegeu a Sinfonia nº 9 de Mahler como a quarta maior sinfonia de todos os tempos numa votação conduzida pela BBC Music Magazine em 2016. Como no caso de seu anterior Das Lied von der Erde, Mahler não viveu para ver sua Sinfonia nº 9 ser executada. 



Aqui está um panorama dos movimentos:

  1. Andante comodo – Um movimento vasto e introspectivo, onde Mahler constrói um mundo de contrastes entre doçura e angústia. O tema principal, de caráter oscilante, parece imitar um coração irregular, talvez refletindo sua própria condição cardíaca.

  2. Im Tempo eines gemächlichen Ländlers – Uma espécie de dança distorcida, onde Mahler desconstrói o ländler (uma dança camponesa austríaca), transformando-o em algo grotesco e instável, como se zombasse das tradições.

  3. Rondo-Burleske – Um movimento feroz, cheio de ironia e sarcasmo, com contrapontos caóticos e passagens de um virtuosismo impiedoso. Pode ser visto como uma crítica mordaz à sociedade e à futilidade da vida.

  4. Adagio – O verdadeiro testamento de Mahler. Lento, solene e profundamente expressivo, é uma despedida serena e devastadora ao mesmo tempo. O movimento vai se dissolvendo em um silêncio absoluto, como se a música e a vida se apagassem suavemente.

domingo, 12 de janeiro de 2025

Prokofiev-Sinfonia nº5 em si maior

No ano de 1945 em Janeiro, estreia de Prokofiev a sinfonia nº5 em si maior com o próprio autor na condução da Filarmónica de Moscovo. A Sinfonia nº 5 em Si bemol maior, Op. 100, de Sergei Prokofiev, é uma obra magistral do repertório sinfônico do século XX. Composta em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, Prokofiev a descreveu como uma celebração do espírito humano, "um hino à liberdade do homem, à sua força e grandeza". Características e Estrutura: A sinfonia segue a forma tradicional em quatro movimentos, mas com a inovação harmônica e rítmica que caracteriza Prokofiev: Andante: O movimento inicial é grandioso e expansivo, apresentando um tema principal de impressionante força e beleza. É um exemplo da habilidade de Prokofiev em criar melodias memoráveis e emocionalmente ressonantes. Allegro marcato: O segundo movimento é marcado por um caráter irônico e satírico, um scherzo que combina energia rítmica e tons de humor, mostrando o estilo característico do compositor. Adagio: O terceiro movimento é sombrio e introspectivo, muitas vezes interpretado como um reflexo dos horrores da guerra. Há uma densidade emocional que contrasta com os outros movimentos. Allegro giocoso: O final é vibrante, repleto de energia e otimismo, com um desfecho triunfante que reafirma a mensagem de resiliência. Impacto e Recepção: A estreia da sinfonia, conduzida pelo próprio Prokofiev em 1945, foi um sucesso retumbante. Composta num momento de esperanças renovadas no final da guerra, a obra foi vista como uma afirmação da vitória e da paz. Seu impacto emocional e técnico garantiu-lhe um lugar entre as obras-primas do compositor. O que a torna especial: Complexidade harmônica: Prokofiev combina tonalidade tradicional com dissonâncias modernas. Ritmos marcantes: A energia rítmica da sinfonia é irresistível. Capacidade narrativa: A obra parece contar uma história, oscilando entre o lirismo, a ironia e o triunfo.