
Joaquim Pedro de Oliveira Martins
- Nasceu em Lisboa no dia 30 de Abril de 1845
- Morreu em Lisboa no dia 24 de Agosto de 1894
Em 1870 foi exercer funções de administrador de uma mina em Almadém em Córdova na Andaluzia, ao Sul de Espanha.
Regressou a Portugal em 1874, para dirigir a construção da linha férrea do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão ficando depois a dirigir a companhia encarregada da exploração económica dessa linha
Oliveira Martins foi um exemplo de autodidacta, vindo a tornar-se em 1878, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e em 1880 foi eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, e em 1884, director do Museu Industrial e Comercial do Porto.
Exerceu ainda as funções de administrador da Régie dos Tabacos, da Companhia de Moçambique e fez parte da comissão executiva da Exposição Industrial Portuguesa.
Este foi o aspecto profissional digamos assim de Oliveira Martins.
No aspecto cultural, em 1870 com 25 anos já tinha obra publicada no domínio do romance histórico com o livro Febo Moniz, vindo a colaborar no jornal revolução de Setembro e no jornal de Comércio, publicações onde saem os seus primeiros artigos sobre história e política social, onde entre outros artgios se publicará em 1869 uma série de 5 artigos com o título «Do princípio federativo e sua aplicação à Península Hispânica» .
É também desta época a publicação do opúsculo Teófilo Braga e o Cancioneiro e o Romanceiro Português (1869), que é fruto da correspondência trocada entre ambos.
Tentará também a poesia com o Traga-Mouros, sendo admitido, em princípios de 1870 no Cenáculo de Antero Quental, de quem se tornou grande amigo.
Nesse ano, lança o jornal de feição socialista A República, com Antero, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Luciano Cordeiro, Batalha Reis e Teófilo Braga, no mesmo ano em que o marechal Saldanha realiza o seu último golpe de estado - a Saldanhada.
O jornal desaparece tão rapidamente como o governo do marechal, levando Oliveira Martins a ir viver para Espanha, como já acima tinha referido.
Em 1874 , quando regressa ao Porto. nos dois primeiros anos, por causa da tal empreitada do caminho de ferro não consegue escrever muito, tirando um ou outro artigo para a Revista Ocidental,tendo também publicado a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.
As incursões na área política, não tiveram sucesso inicial dada a recusa de Fontes Pereira de Melo em o deixar concorrer pelo Partido Regenerador, escreve então A Reorganização do Banco de Portugal, onde defende a existência de um banco emissor único, e no ano seguinte A Circulação Fiduciária, memória apresentada à Academia das Ciências de Lisboa.
Em 1878 e em 1879 concorre às eleições, no Porto, pelo Partido Socialista, tendo recebido 37 votos no primeiro ano e 40 na segunda tentativa.
A impossibilidade de entrar na vida política, devido primeiro à recusa do Partido Regenerador, e depois à debilidade do Partido Socialista e ao corte com o Partido Republicano, levam-no a lançar a Biblioteca das Ciências Sociais, cujos primeiros volumes são a História da Civilização Ibérica, e a História de Portugal.
Em 1884, António Augusto de Aguiar nomeia-o director da Escola e Museu Industrial e Comercial do Porto, ano em que publica o último livro da Biblioteca, a História da República Romana, em que descreve a vida de Júlio César.
Em 1885, colige vários artigos dispersos por órgãos da imprensa nacional e lança um jornal - A Província - para divulgar o seu programa político.
Em 1886,é eleito deputado por Viana do Castelo, mas quando Luciano de Castro forma governo, as Finanças são entregues a Mariano de Carvalho, recusando ele a pasta das Obras Públicas.
Em 1888 regressa a Lisboa e assume a direcção do jornal O Repórter, cargo que ocupa por pouco tempo, pois Mariano de Carvalho nomeia-o para a Administração dos Tabacos, cargo que ocupará durante dois anos.
Em Fevereiro de 1892 aceita finalmente a pasta das Finanças no ministério de Dias Ferreira. Trabalha afincadamente nos primeiros tempos, mas o presidente do conselho não gosta da sua independência. Entram em conflito e Oliveira Martins é obrigado a demitir-se.
Apos uma breve passagem por Londres, regressa em 1893 sendo de novo eleito deputado
pelo Porto e também como membro da Junta de Crédito Público ao mesmo tempo que escreve a Vida de Nun'Álvares e prepara o Príncipe Perfeito.
Já doente parte para Espanha, para se documentar sobre a Batalha de Toro, regressando bastante pior. Vai para Setúbal, onde escreve o 1.º capítulo de O Príncipe Perfeito.
Morre em 24 de Agosto de 1894, apenas com 49 anos vitimado pela tuberculose tendo dito na hora da morte "Morro triste não levo saudades do Mundo".
A evolução do seu pensamento político, inicido pelo republicanismo social evolui para um socialismo proudhoniano, definido por uma democracia socializante, mas assente em Estado forte.
Tinha casado em 10 de Março de 1865 com D. Vitória de Mascarenhas Barbosa, não tendo tido descendência.