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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bento de Jesus Caraça


Nasceu em Vila Viçosa em 18 de Abril de 1901
Morreu em Lisboa a 25 de Junho de 1948

Bento Jesus é filho João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha e irmão de António, Francisco e Filomena. Casou em 1926 com Maria Octávia Sena, de quem ficou viúvo nove meses depois.

Casou em 1943 com Cândida Gaspar, com quem teve o seu único filho, João Manuel Gaspar Caraça.

Foi um matemático português, resistente antifascista e militante do Partido Comunista Português.

Desenvolveu notável acção cultural e pedagógica através de artigos publicados nas revistas Gazeta de Matemática,qu criou em 1940, com os professores António Monteiro, Hugo Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zalua, na Seara Nova e Vértice.

Licenciou-se em 1923, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG).

Em 1936 funda o Núcleo de Matemática, Física e Química juntamente com outros recém doutorados nas áreas da matemática e física.

Em 1938, com os professores Mira Fernandes e Beirão da Veiga, funda o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, que dirigiu até Outubro de 1946, ano da sua extinção pelo Governo.


Em 1941 cria a "Biblioteca Cosmos", para edição de livros de divulgação científica e cultural, a qual publicou 114 livros, com uma tiragem global de 793 500 exemplares.

Esta verdadeira “enciclopédia do saber”, pioneira mesmo a nível da Europa, publicou 114 títulos, Nela publicou Bento Caraça o seu notável livro “Conceitos Fundamentais da Matemática” que revolucionou a abordagem da história da Matemática focada dum ponto de vista interdisciplinar e dialéctico.

Foi membro do MUNAF e vice-presidente do MUD, em 1946 é preso pela PIDE e, em Outubro desse mesmo ano, demitido do lugar de professor catedrático do ISCEF.

Em 1943 torna-se presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Homem de cultura, atacava o monopólio cultural das classes dominantes , apontava o caminho da criatividade e da fruição culturais pelo povo e sublinhava o consequente imperativo da solução dos graves problemas económicos das massas trabalhadoras. Deu uma importante contribuição para a democratização da cultura. Apontando o valor e o papel do indivíduo, inseria a sua actividade em realizações colectivas.

Homem de profundas convicções, reflectia e incitava os outros a reflectirem, respeitava as opiniões diferentes, era sereno na controvérsia. E porque confiava no futuro, acreditava na juventude, convivia com os jovens, que com ele conversavam e passeavam. E nem ele nem os os jovens sentiam as diferenças da idade.

Recordo nos dias de hoje as suas palavras

construímos cinemas sumptuosos e temos falta de casa de habitação. Gastamos em navios de guerra o dinheiro necessário para as escolas. Os ricos podem gastar num só jantar o salário semanal de um operário, enquanto o operário não pode enviar à escola os filhos insuficientemente alimentados

são frases como estas que definem a ideologia que deve marcar a linha orientadora dum governo, não se é esquerda ou de direita colando rótulos mas sim pelo sentido das orientações políticas que se tomam.

Faleceu em Lisboa, no dia 25 de Junho de 1948, vítima de doença cardíaca.

Obras publicadas

* 1930 Interpolação e Integração Numérica.
* 1933 A Cultura Integral do Indivíduo - Problema central do nosso tempo, onde escreve um programa de intervenção cultural, científica e pedagógica.
* 1935 Lições da Álgebra e Análise.
* 1937 Cálculo Vectorial.
* 1941 Conceitos Fundamentais da Matemática.