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sábado, 8 de janeiro de 2011

Vieira Lusitano



(Francisco de Matos Vieira)

Pintor da Casa Real. Por ser natural de Lisboa, onde nasceu a 4 de Outubro de 1699, ficou conhecido como Vieira Lusitano, sendo o seu nome Francisco de Matos Vieira

Uma família fidalga da quinta da Boavista quiseram conhecer o talentoso jovem, que desde miúdo patenteava a sua tendência para as Belas Artes.

Aí encontrou pela primeira vez aquela que seria o amor de toda a sua vida e com quem decorreram episódios rocambolescos.

O marquês de Abrantes, que viu alguns desses trabalhos, e estava nomeado embaixador em Roma, propôs-lhe levá-lo consigo e protege-lo, para que ele pudesse aperfeiçoar-se na arte, para que mostrava tão evidente vocação.

Com 15 anos saiu de Lisboa na companhia do diplomata português com destino à capital italiana.

Numa primeira fase esteve em Roma, cerca de 7 anos, embora com o seu tempo de estudo muito limitado, pela utilização que o seu mentor o marquês de Abrantes lhe atribuiu encarregando-o de lhe fazer desenhos de todos os festejos e funções religiosas que se efectuavam em Roma, de todos os ornamentos e peças que serviam de adorno aos altares da basílica de S. Pedro, e outras trabalhos menores.

Tomando parte num concurso da Academia de S. Lucas, ganhou o prémio com um trabalho em que representou a conhecida cena de Noé embriagado diante de seus filhos, sendo ele o primeiro português que em Roma alcançou tão sabida honra.

Regressando à pátria foi logo encarregado por D. João V de fazer um grande quadro do Santíssimo Sacramento para servir na procissão do Corpo de Deus, e depois de lhe pintar o retrato para servir de modelo aos cunhos da moeda.

Posteriormente pintou também na sacristia da igreja patriarcal alguns quadros.

Casou com D. Inês Helena de Lima e Melo, a tal menina que conhecera em criança. S família de D. Inês opunha-se ao casamento por julgarem o noivo de condição inferior.

Os pais da noiva, levaram a filha para o convento de Santana, e obrigaram-na a professar, embora ela protestasse era casada.

Francisco de Matos Vieira tentou por todos os modos legais tirar a esposa da clausura, mas como nem o próprio soberano o atendeu, decidiu voltar a Roma afim de pedir ao papa os breves precisos para a realização do seu desejo.

Esteve mais de 5 anos em Roma, no que respeita ás artes. tiveram eles o melhor êxito, porque, consolidando de dia para dia a sua reputação, foi feito académico de mérito na Academia de S. Lucas.

Dos trabalhos que então executou, especializa-se o quadro que pintou para a Academia representando Moisés na presença do rei do Egipto.

Voltando à pátria deliberou levar a efeito um projecto, saltando embora por cima de todas as leis civis e eclesiásticas.

Arranjou meio de lhe chegar ás mãos um fato completo de homem, e um dia, D. Inês saiu do mosteiro para se encontrar com seu marido, e assim no fim de tantos anos de trabalhos e de amarguras puderam unir-se os dois esposos.

Um irmão dela tentou vingar a honra da família supostamente ultrajada, e esperando o pintor próximo, da rua das Pretas, desfechou sobre ele um tiro de pistola, que o feriu gravemente.

Matos Vieira, resolveu, para viver sossegado, uma nova viagem a Roma, mas chegando a Sevilha em 1733, foi chamado a Lisboa, sendo nomeado pintor do rei com o ordenado mensal de 60$000 reis .

Esteve em Mafra, onde enviuvou em 1775, e com o desgosto pela perda da sua companheira, abandonou a pintura, e foi viver para o Beato António, passando ali os últimos anos da sua existência.

Algumas obras, que escaparam ao terramoto:

Painéis na igreja de S. Roque:

Santo António pregando aos peixes e Santo António prostrado diante de Nossa Senhora

Casa de Povolide

uns quadros de Santo António, S. Pedro, S. Paulo, a Família Sagrada, e Santa Bárbara,

Pertencente ao conde de Assumar

Sagrada Família

Convento do Menino de Deus

um grande painel representando S. Francisco,

A capela dos 7 altares da igreja de Mafra tem um grande quadro da Sacra Família.

na Junta do Comércio.

uma Senhora da Conceição,

Consta que na Biblioteca de Évora existe uma grande colecção de desenhos de Vieira Lusitano.


(Respigado de um artigo transcrito por Manuel Amaral no site Portal da História

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