Querendo ver outros blogs meus consultar a Teia dos meus blogs

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Machado Santos



António Maria de Azevedo Machado Santos nasceu em Lisboa a 10 de Janeiro de 1875 vindo a ser assassinado em Lisboa a 19 de Outubro de 1921, mais conhecido por Machado Santos, foi um militar e político português, considerado o fundador da República Portuguesa pelo denodo com que se bateu na Revolução de 5 de Outubro de 1910 e depois na defesa do regime contra a intentona monárquica de 22 a 24 de Janeiro de 1919 em Monsanto.

Machado Santos alistou-se na Armada Portuguesa em 1891 iniciando uma carreira de comissário naval que o levaria ao posto de comissário de 2.ª classe (segundo-tenente) aquando da Revolução de 5 de Outubro de 1910, cabendo-lhe comandar a força que ocupou a Rotunda, em Lisboa

Pelo excepcional espírito combativo demonstrado e pela eficácia da sua acção, a Assembleia Constituinte, em 1911, promoveu-o a capitão-de-mar-e-guerra, concedendo-lhe ainda uma pensão anual a título vitalício

Ainda durante a Monarquia já se tinha iniciado na Carbonária, presente em todos os movimentos revolucionários que precederam a queda do regime, distinguindo-se na Revolta de 28 de Janeiro de 1908.

Eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911, foi dos primeiros a manifestar sinais de desencanto face ao andamento da política na República, a qual se afastava rapidamente dos ideais de pureza republicana dos seus defensores iniciais.

Funda então o jornal O Intransigente, que dirige, no qual expressa o seu desencanto, criticando acidamente quase todos os governos, em intervenções incómodas e nem sempre claras quanto à orientação política que preconizava como alternativa

Mantendo o fervor revolucionário e conspirativo do período anterior à implantação da República Portuguesa, passa da palavra aos actos, organizando ou participando nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, na Revolta de Tomar de 1916 e no golpe de 1917 que colocou Sidónio Pais no poder. de quem foi apoiante em cujo consulado foi ministro (responsável pela pasta do Interior) e secretário de Estado (das Subsistências e Transportes), mas depois passou também a opor-se-lhe

No Movimento das Espadas, quando vários oficiais militares descontentes com o estado do país tentaram simbolicamente entregar as suas espadas ao Presidente da República Manuel de Arriaga, teve um papel determinante, já que ao deslocar-se ao Palácio de Belém para entregar a espada que usara nos combates da Rotunda no dia 5 de Outubro de 1910, deitou por terra a acusação de pró-monárquicos com que o Partido Democrático Republicano (no poder) justificara a prisão dos oficiais amotinados.

Nesse mesmo ano foi preso e deportado para os Açores durante a ditadura de Pimenta de Castro.

Em 1919, durante a Monarquia do Norte, voltou a salvar a República ao contribuir para a derrota do grupo de revoltosos monárquicos acampados na Serra de Monsanto.

Ainda lança o Partido da Federação Republicana, com que pretende continuar a sua intervenção política, mas acaba por se retirar da vida política.



Morreu assassinado na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, vítima das forças revolucionárias que tão longamente cultivara.

Mais tarde, Machado Santos chegaria ao posto de vice-almirante.Dos acontecimentos da Rotunda dá conta um Relatório, que foi escrito pelo próprio Machado Santos mas não constitui fonte absolutamente fiável, uma vez que o autor não assistiu a certos sucessos que menciona, antes reproduz informações que recolheu junto de outros intervenientes nos combates de 1910.

. Mais tarde, Machado Santos chegaria ao posto de vice-almirante.Dos acontecimentos da Rotunda dá conta um Relatório, que foi escrito pelo próprio Machado Santos mas não constitui fonte absolutamente fiável, uma vez que o autor não assistiu a certos sucessos que menciona, antes reproduz informações que recolheu junto de outros intervenientes nos combates de 1910.

Morreu assassinado, em 1921, durante a chamada Noite Sangrenta, juntamente com António Granjo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

António Maria da Silva



António Maria da Silva nasceu em Lisboa em 1872. Tirou o curso de Engenharia de Minas na Escola do Exército que concluiu em 1892, tendo sido nomeado em 1895, engenheiro ajudante do Ministério das Obras Públicas.

Filiado no Partido Republicano Português (PRP), e membro da Carbonária, de que se tornou um dos principais dirigentes, a sua actividade política foi exercida à margem da lei, conspirando por métodos revolucionários para derrubar a monarquia.

Tendo sido descoberto exilou-se em Espanha de onde voltou para participar na revolução falhada de 28 de Janeiro de 1908.

Manteve sempre actividade revolucionária, e foi uma das figuras principais na preparação da Revolução de 5 de Outubro de 1910, com o Almirante Cândido dos Reis, Machado Santos, Miguel Bombarda e outros dirigentes do PRP, da Maçonaria e da Carbonária.

Depois da proclamação da República foi nomeado director-geral dos Correios e Telégrafos e secretário-geral do Ministério do Fomento.

Em 1913, foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte, reunindo à sua volta um núcleo que se chamou Grupo Independente e que em 1914 se integrou no PRP. Nessa altura já assumiu o cargo de Ministro do Fomento (correspondente ao actual Ministro da Economia).

Durante a ditadura de Pimenta de Castro foi suspenso do seu lugar de secretário-geral dos Correios e juntamente com Sá Cardoso, Freitas Ribeiro e Álvaro de Castro fundou a Junta Revolucionária que levou a cabo o movimento de 14 de Maio de 1915.

Nesse mesmo ano Afonso Costa encarregou-o novamente da pasta do Fomento, cargo que manteve até Março de 1916, transitando depois para o Ministério do Trabalho e da Previdência Social.

Com a saída de Afonso Costa do governo, António Maria da Silva tornou-se chefe do partido Democrático e veio a ser Presidente do Ministério, por seis vezes.

Da sua acção como governante, destaca-se a organização da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, a criação do Laboratório Central de Patologia Veterinária e a modernização das Escolas Técnicas.

Passou os últimos anos de vida a escrever as suas memórias, que não chegou a editar. Publicou os trabalhos Nascentes Termo-Minerais e a Carta das Estâncias Minerais em Portugal.

António Maria da Silva morreu em Lisboa no dia 14 de Outubro de 1950.

Fonte O centenário da Republica

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Bento de Jesus Caraça


Nasceu em Vila Viçosa em 18 de Abril de 1901
Morreu em Lisboa a 25 de Junho de 1948

Bento Jesus é filho João António Caraça e Domingas da Conceição Espadinha e irmão de António, Francisco e Filomena. Casou em 1926 com Maria Octávia Sena, de quem ficou viúvo nove meses depois.

Casou em 1943 com Cândida Gaspar, com quem teve o seu único filho, João Manuel Gaspar Caraça.

Foi um matemático português, resistente antifascista e militante do Partido Comunista Português.

Desenvolveu notável acção cultural e pedagógica através de artigos publicados nas revistas Gazeta de Matemática,qu criou em 1940, com os professores António Monteiro, Hugo Ribeiro, José da Silva Paulo e Manuel Zalua, na Seara Nova e Vértice.

Licenciou-se em 1923, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG).

Em 1936 funda o Núcleo de Matemática, Física e Química juntamente com outros recém doutorados nas áreas da matemática e física.

Em 1938, com os professores Mira Fernandes e Beirão da Veiga, funda o Centro de Estudos de Matemáticas Aplicadas à Economia, que dirigiu até Outubro de 1946, ano da sua extinção pelo Governo.


Em 1941 cria a "Biblioteca Cosmos", para edição de livros de divulgação científica e cultural, a qual publicou 114 livros, com uma tiragem global de 793 500 exemplares.

Esta verdadeira “enciclopédia do saber”, pioneira mesmo a nível da Europa, publicou 114 títulos, Nela publicou Bento Caraça o seu notável livro “Conceitos Fundamentais da Matemática” que revolucionou a abordagem da história da Matemática focada dum ponto de vista interdisciplinar e dialéctico.

Foi membro do MUNAF e vice-presidente do MUD, em 1946 é preso pela PIDE e, em Outubro desse mesmo ano, demitido do lugar de professor catedrático do ISCEF.

Em 1943 torna-se presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática.

Homem de cultura, atacava o monopólio cultural das classes dominantes , apontava o caminho da criatividade e da fruição culturais pelo povo e sublinhava o consequente imperativo da solução dos graves problemas económicos das massas trabalhadoras. Deu uma importante contribuição para a democratização da cultura. Apontando o valor e o papel do indivíduo, inseria a sua actividade em realizações colectivas.

Homem de profundas convicções, reflectia e incitava os outros a reflectirem, respeitava as opiniões diferentes, era sereno na controvérsia. E porque confiava no futuro, acreditava na juventude, convivia com os jovens, que com ele conversavam e passeavam. E nem ele nem os os jovens sentiam as diferenças da idade.

Recordo nos dias de hoje as suas palavras

construímos cinemas sumptuosos e temos falta de casa de habitação. Gastamos em navios de guerra o dinheiro necessário para as escolas. Os ricos podem gastar num só jantar o salário semanal de um operário, enquanto o operário não pode enviar à escola os filhos insuficientemente alimentados

são frases como estas que definem a ideologia que deve marcar a linha orientadora dum governo, não se é esquerda ou de direita colando rótulos mas sim pelo sentido das orientações políticas que se tomam.

Faleceu em Lisboa, no dia 25 de Junho de 1948, vítima de doença cardíaca.

Obras publicadas

* 1930 Interpolação e Integração Numérica.
* 1933 A Cultura Integral do Indivíduo - Problema central do nosso tempo, onde escreve um programa de intervenção cultural, científica e pedagógica.
* 1935 Lições da Álgebra e Análise.
* 1937 Cálculo Vectorial.
* 1941 Conceitos Fundamentais da Matemática.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Augusto de Vasconcelos


  • Augusto César de Almeida de Vasconcelos Correia
  • nasceu em Lisboa, 25 de setembro de 1867
  • morreu em Lisboa, 27 de setembro de 1951
  • , mais conhecido por Augusto de Vasconcelos, foi um médico e professor de Medicina, político e diplomata português do período da Primeira República.
Republicano moderado desde a sua juventude, era considerado amigo pessoal de Afonso Costa e politicamente próximo de Brito Camacho.

Era professor catedrático de Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, pela qual se tinha licenciado em 1891, passando a assumir a cátedra da Anatomia Descritiva e Topográfica em 1906.
Director clinico e Enfermeiro mor dos Hospitais civis, foi considerado um dos maiores cirurgiões do seu tempo.

Militante republicano desde a juventude, estreou-se na governação como Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo presidido por João Pinheiro Chagas, no período de 12 de Outubro a 12 de Novembro de 1911, tendo nesta última data assumido a presidência do Ministério, mantendo em acumulação a pasta dos Negócios Estrangeiros.

Manteve-se como Presidente do Conselho de Ministros até 16 de Junho de 1912.

Em 16 de Junho de 1912 abandonou a presidência do Ministério, que passou a ser ocupada por Duarte Leite, permanecendo, contudo, no cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros até 9 de Janeiro de 1913.

Enveredou então pela diplomacia, ocupando o posto de embaixador de Portugal em Madrid nos anos de 1913 e 1914, passando depois para a embaixada em Londres, que ocupou de 1914 a 1919, período que compreendeu a participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, altura em que a embaixada em Londres tinha um papel crucial na condução política do conflito.

Terminada a Guerra, chefiou em 1919 a delegação portuguesa à Conferência de Paz de Paris, passando depois trabalhar na Sociedade das Nações, organismo no qual foi delegado português em 1934 - 1935, presidindo nessa altura à respectiva Assembleia Geral.

Nessas funções ganhou algum destaque com os esforços diplomáticos que desenvolveu para pôr termo à Guerra do Chaco que em 1935 opôs a Bolívia ao Paraguai.

Nesse mesmo ano de 1935 assmiu a presidência daSociedade das Nações que deteve até 1937

domingo, 16 de janeiro de 2011

Manuel de Arriaga



  • nasceu na Horta a 8 de Julho de 1840
  • morreu em Lisboa 5 de Março de 1917

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelonguemais conhecido por Manuel de Arriaga, foi um advogado, professor, escritor e político de origem açoriana.



Manuel de Arriaga nasceu na casa do Arco, no centro da cidade da Horta, ilha do Faial, filho de Sebastião José de Arriaga Brum da Silveira e de sua esposa Maria Cristina Pardal Ramos Caldeira

. Pertencente à melhor sociedade faialense, o pai era um dos mais ricos comerciantes da cidade.

Depois de concluídos os estudos preparatórios na cidade da Horta, em 1860 matriculou-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra, sendo acompanhado pelo seu irmão, José de Arriaga, quatro anos mais novo.

Em Coimbra cedo se revelou um aluno brilhante e um orador notável.

Aderiu ao ideário republicano, então considerado subversivo, levou a que o pai, monárquico conservador com laivos miguelistas, cortasse relações com o filho, proibindo-lhe o regresso a casa. sendo obrigado a trabalhar, leccionava inglês, para sustentar os seus estudos, e os do irmão, igualmente proscrito pelo pai por adesão a ideologias subversivas.

Formou-se no ano de 1865 e no ano seguinte abriu escritório de advogado em Lisboa, cidade onde se fixou.

Já advogado de renome em Lisboa, em 18 de Maio de 1871 foi um dos doze signatários do programa das conferências democráticas do casino Lisbonense. Tornou-se num membro destacado da geração doutrinária do republicanismo português, afirmando-se como um dos seus principais ideólogos. Afirmava-se partidário entusiasta da democracia, tendo sempre militado no republicanismo unitário e democrático, rejeitando o anticlericalismo e o jacobinismo que marcavam a corrente dominante do republicanismo português daquela época.

Casou em Valença com Lucrécia Augusta Brito de Berredo Furtado de Melo e deste casamento nasceram quatro filhas e dois filhos.

Em 26 de Agosto de 1876 foi nomeado vogal da Comissão para a Reforma da Instrução Secundária, sendo este o primeiro cargo público que exerceu.

Em 1878 concorreu para o lugar de professor de História Universal e Pátria do Curso Superior de Letras, mas voltou a ser preterido, apesar do brilhantismo da dissertação que apresentou a concurso.

Apesar de ser considerado um gentleman e de vestir à melhor moda da aristocracia do tempo, a sua fama de revolucionário não deixou certamente de influir sobre o júri. Acabaria por conseguir um lugar de professor de inglês do Liceu de Lisboa, cargo que manteria por largos anos.

Nesse mesmo ano de 1878, concorreu pela primeira vez a um lugar de deputado nas Cortes, integrando a lista republicana candidata a um dos círculo eleitorais da cidade de Lisboa (o círculo n.º 96). Apesar da forte campanha que conduziu, foi largamente derrotado, obtendo apenas 456 votos, contra os 1086 sufrágios do vencedor.

Em 1881 faleceu o seu pai, herdando os bens familiares no Faial e no Pico, já que o seu irmão mais velho, Sebastião de Arriaga, falecera precocemente em 1875.

Nesse mesmo ano empenhou-se novamente na campanha republicana para as eleições gerais de 21 de Agosto (24.ª legislatura), sendo novamente candidato por um dos círculos de Lisboa, no qual voltou a ser derrotado.

Em 26 de Novembro de 1882, numas eleições suplementares, foi finalmente eleito deputado republicano pelo círculo da Madeira. A vitória eleitoral deveu-se a um conjunto de circunstâncias que beneficiaram a sua candidatura: apresentara-se a convite de uma comissão de comerciantes e industriais funchalenses, desiludidos com os partidos do rotativismo, beneficiando da ausência de um candidato do Partido Regenerador.

Ainda assim, teve de se submeter a segunda volta, pois quase empatara contra Anselmo José Braamcamp, o líder do Partido Progressista, mas com a desistência deste venceu folgadamente com 2650 votos, 60,9% do total dos votos expressos.

Foi proclamado deputado a 8 de Janeiro de 1883, prestando juramento dois dias depois. Foi o segundo republicano a tomar assento no parlamento português, juntando-se no parlamento a José Elias Garcia, que ali tinha assento desde 1881.

Manuel de Arriaga iniciou o seu percurso parlamentar apresentando de imediato uma proposta que visava eliminar o juramento de fidelidade ao rei e à Carta Constitucional a que estavam obrigados os parlamentares, proposta que obviamente foi de imediato rejeitada.

Apresentou durante o ano de 1883 diversas propostas legislativas, todas sem sucesso. Até ao termo da legislatura, que terminou com a 3.ª sessão legislativa a 17 de Maio de 1884, limitou-se a renovar, em conjunto com Elias Garcia, uma iniciativa legislativa.

Durante estes dois anos no Parlamento renunciou ao seu vencimento como professor liceal, recebendo apenas o subsídio parlamentar a que tinham direito os deputados. Terminado o mandato, não foi reeleito.

Na sua acção como deputado, e mesmo não conseguindo fazer parte de qualquer comissão parlamentar, distinguiu-se pela pertinência das suas intervenções e posições e pela fineza do seu trato. Demonstrando elevados dotes intelectuais e uma cultura superior, aliava a uma oratória brilhante uma grande combatividade política e um elevado rigor ético.

No Partido Republicano Português, o prestígio que conquistara nas Cortes e a sua capacidade intelectual guindaram-no para uma posição preponderante, que manteve entre 1883 e 1892.

A partir de 31 de Dezembro de 1891 integrou, com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo, o directório do partidário durante o período da sua estruturação.

Foi também vereador republicano da Câmara Municipal de Lisboa.

Nas eleições gerais de 20 de Outubro de 1889 voltou a candidatar-se a deputado, desta feita pelo círculo da sua cidade natal, a Horta. Apesar das ligações familiares, o meio conservador das ilhas não lhe era favorável, pelo que ficou em quarto lugar, num círculo que elegia três deputados.

No ano seguinte, depois de cinco anos fora do Parlamento, a reacção popular ao ultimato britânico de 1890, que levara à dissolução do recém-eleito parlamento, veio abrir uma nova oportunidade para os republicanos. Manuel de Arriaga voltou à ribalta política nacional ao liderar a manifestação organizada a 11 de Fevereiro de 1890 em repúdio ao ultimato britânico e à cedência do governo português. Foi preso durante o evento e conduzido a bordo de um navio de guerra, onde ficou retido até ser libertado por uma amnistia régia.

Aproveitado a indignação popular contra o rei e os partidos do rotativismo, nas eleições gerais realizadas a 30 de Março de 1890 (28.ª legislatura) concorreu novamente pelo círculo de Lisboa, sendo eleito folgadamente, em conjunto com outros dois republicanos (Elias Garcia e Latino Coelho).

Foi proclamado deputado a 30 de Abril de 1890, prestando juramento, novamente sob protesto, a 3 de Maio. Nesta segunda passagem pelo Parlamento, com um grupo republicano substancialmente alargado, tendo passado dos dois de 1883 para seis, teve um papel bastante mais interventivo, recusando novamente a acumulação de vencimentos.

Apesar de não fazer parte de qualquer comissão parlamentar, começou por re-apresentar a sua proposta de eliminação da obrigatoriedade de juramento, proposta obviamente rejeitada, passando depois a utilizar as Cortes como uma plataforma privilegiada para a sua actividade político-partidária.

Considerando-se eleito pelo voto popular, passou a defender acerrimamente a teoria da soberania popular, recusando qualquer solução política que não resultasse directamente da vontade dos cidadãos. A defesa da liberdade de consciência, de expressão, de reunião e de associação esteve sempre entre os tópicos da sua acção parlamentar.

Outra temática constante da sua acção parlamentar foi a defesa dos interesses do povo, por ele entendido como todos os cidadão. Nessa defesa dava grande importância à dignificação das classes menos favorecidas, tendo sido notável o empenho que colocou em 1883 na defesa dos camponeses e operários da Madeira, o círculo que o elegera, então a braços com uma profunda crise que condenava muitos deles à fome.

Foi um dos principais autores do programa do PRP apresentado ao público no dia 11 de Fevereiro de 1891. A partir daí participou frequentemente nos comícios de propaganda republicana, onde a sua capacidade oratória e a sua retórica rica e inflamada era muito apreciada pelas camadas populares. Aliás essa sua presença em comícios já vinha desde longe, já que em 1883 já participara num comício dissolvido pela força, razão que o levara depois a protestar veementemente nas Cortes.

Apesar da forte actividade e da pertinência das suas intervenções parlamentares, desencantou-se com a actividade parlamentar, declarando, no termo do mandato que não voltaria às Cortes enquanto novas leis ou melhores condições não investissem os representante do povo de melhores garantias. Desencantado com a política, dedicou-se gradualmente às suas obras literárias, com forte pendor filosófico, publicando, entre 1899 e 1907, dois livros de poesia e um de prosa.

Após a implantação da República Portuguesa, a 17 de Outubro de 1910 foi nomeado reitor da Universidade de Coimbra, tendo como vice-reitor Sidónio Pais, outro vulto do republicanismo português.

A nomeação foi feita por António José de Almeida, que perante a necessidade de reestabelecer a ordem na Universidade, onde estudantes republicanos entraram nas instalações do Senado e praticaram actos de vandalismo, o convidou para reitor e lhe foi dar posse a 17 de Outubro de 1910, em cerimónia sem aparato académico, mas que bastou para serenar os ânimos estudantis

Pouco depois, a 17 de Novembro de 1910, foi nomeado Procurador-Geral da República.

A 28 de Abril de 1911 foi eleito novamente deputado constituinte pelo círculo da Madeira. Na Assembleia Nacional Constituinte revelou-se um orador notável, tendo muitos dos seus discursos dado um impulso não negligenciável à causa republicana. Não partilhava, porém, o anti-clericalismo próprio dos primeiros republicanos portugueses.

Perante um Partido Republicano Português dividido em facções crescentemente radicalizadas, a 24 de Agosto de 1911 foi eleito Presidente da República Portuguesa, por proposta de António José de Almeida.

Sem o apoio da facção dos democráticos de Afonso Costa, recolheu 121 votos em 217, tendo como apoiantes toda a ala moderada do republicanismo português. Com com 71 anos de idade, foi o primeiro Chefe do Estado eleito do novo regime.

O seu mandato foi atribulado devido a incursões monárquicas movidas por Paiva Couceiro e à crescente instabilidade política resultante da desagregação do PRP. Nesse ambiente, tentou, sem êxito, reunificar o partido que, entretanto, se desmembrava em diferentes facções.

Adversário da hegemonia afonsista da ala radical do PRP, após o Movimento das Espadas, em Janeiro de 1915 Manuel de Arriaga convidou o general Pimenta de Castro a formar governo, dando origem à instauração de uma ditadura, com dissolução inconstitucional do Congresso da República.

A decisão deu origem ao descontentamento generalizado dos republicanos, com os parlamentares, reunidos secretamente a 4 de Maio, no Palácio da Mitra, a declaram Manuel de Arriaga e Pimenta de Castro fora da lei e os seus actos nulos. Esta declaração levou a uma revolta, a Revolta de 14 de Maio de 1915.

Desencadeada pelos republicanos democráticos, com ao apoio da Marinha, aquela revolta provocou cerca de 200 mortos e derrubou o governo do general Pimenta de Castro.

Perante a formação de uma junta militar que reclamava a reposição da ordem constitucional, o bondoso e pacifista Manuel de Arriaga deixou o cargo a 26 de Maio, abandonando em definitivo a vida política, acusado de trair os ideais republicanos democráticos que defendera toda a sua vida. Foi então substituído na Presidência da República por outro açoriano, o professor Teófilo Braga.

Se não há dúvida que Manuel de Arriaga foi uma das figuras mais prestigiadas do republicanismo na oposição à Monarquia Constitucional Portuguesa, menos consensual foi a sua acção política como Presidente da República, especialmente nos últimos meses do mandato. Embora amargurado e sentindo-se incompreendido e injustiçado pelos vitupérios de que era vítima por parte dos seus próprios correlegionários republicanos, publicou, em 1916, um livro intitulado Na Primeira Presidência da República Portuguesa, um verdadeiro testamento da sua acção política.

Morreu em Lisboa a 5 de Março de 1917, dois anos depois de ter abandonado a Presidência da República. Foi sepultado em jazigo de família no Cemitério dos Prazeres. Em cumprimento da decisão votada por unanimidade pela Assembleia da República, constante da Resolução da Assembleia da República n.º 49/2003, de 4 de Junho, foi transladado para o Panteão Nacional de Santa Engrácia. A cerimónia solene de trasladação ocorreu em 16 de Setembro de 2004, com a presença do Presidente da República, do Primeiro Ministro e das mais altas individualidades do Estado Português.

Manuel de Arriaga é patrono da Escola Secundária Manuel de Arriaga, na cidade da Horta, e é recordado em centenas de nomes de ruas e praças. Será provavelmente o nome mais recordado na toponímia portuguesa.

Créditos . wikipédia

Pimenta de Castro



  • nasceu em Pias, Monção, 5 de Novembro de 1846
  • morreu em Lisboa a 14 de Maio de 1918
José Joaquim Pereira Pimenta de Castro
foi um oficial militar e político português.

Foi um oficial militar de carreira, também graduado em Matemática pela Universidade de Coimbra.


General de divisão em 1908, foi nomeado comandante da 3ª Região Militar, no Porto.

Oficial de de grande prestígio e alheio a actividade partidária foi Ministro da Guerra, por apenas dois meses, em 1911, fazendo parte do 1º governo constitucional chefiado por Pinheiro Chagas, tendo-se demitido do cargo devido a uma das incursões monárquicas de Henrique de Paiva Couceiro, acusado que foi de falta de firmeza.

Foi depois escolhido pelo Presidente Manuel de Arriaga para ser Presidente do Ministério (Primeiro Ministro) do governo, que governaria sem o parlamento, onde o Partido Republicano, liderado por Afonso Costa tinha a maioria.

O seu governo, com o apoio do Partido Republicano Evolucionista e da União Republicana, e também de facções militares conservadoras, ficou no poder de 28 de Janeiro a 14 de Maio de 1915.

Quando foi retirado do poder por um movimento militar a 14 de Maio de 1915, com o apoio do Partido Republicano Português, que causou também a demissão do Presidente Manuel de Arriaga

João Pinheiro Chagas




  • Nasceu no Rio de Janeiro em 1 de Setembro de 1862
  • Morreu no Estoril a 28 de Maio de 1925
João Pinheiro Chagas, nasceu no Rio de Janeiro, filho de um emigrante português.

Regressado a Portugal estudou em Lisboa, mas indo depois para o Porto tornando-se jornalista no Primeiro de Janeiro, Correio da Noite, O Tempo e O Dia

Por ocasião do ultimato britânico de 1890, adere ao Partido Republicano Português, sendo no ano seguinte implicado na revolta de 31 de Janeiro de 1891. Foi degredado para Angola, fugiu para o Brasil, e continuou a lutar pela causa republicana.

Tendo sido um dos mais activos oponentes da ditadura de João Franco, entre 1906 e 1908, com o triunfo da República, em 1910, João Chagas foi nomeado representante diplomático português em Paris, cargo do qual acabou por se demitir, em duas ocasiões, por discordar do modelo político seguido pelos governantes, mas onde acabou por se manter até se aposentar em 1923.

Foi Primeiro Ministro (chefe de governo) de 3 de Setembro a 12 de Novembro de 1911.

Morreu no Estoril a 28 de Maio de 1925.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Vieira Lusitano



(Francisco de Matos Vieira)

Pintor da Casa Real. Por ser natural de Lisboa, onde nasceu a 4 de Outubro de 1699, ficou conhecido como Vieira Lusitano, sendo o seu nome Francisco de Matos Vieira

Uma família fidalga da quinta da Boavista quiseram conhecer o talentoso jovem, que desde miúdo patenteava a sua tendência para as Belas Artes.

Aí encontrou pela primeira vez aquela que seria o amor de toda a sua vida e com quem decorreram episódios rocambolescos.

O marquês de Abrantes, que viu alguns desses trabalhos, e estava nomeado embaixador em Roma, propôs-lhe levá-lo consigo e protege-lo, para que ele pudesse aperfeiçoar-se na arte, para que mostrava tão evidente vocação.

Com 15 anos saiu de Lisboa na companhia do diplomata português com destino à capital italiana.

Numa primeira fase esteve em Roma, cerca de 7 anos, embora com o seu tempo de estudo muito limitado, pela utilização que o seu mentor o marquês de Abrantes lhe atribuiu encarregando-o de lhe fazer desenhos de todos os festejos e funções religiosas que se efectuavam em Roma, de todos os ornamentos e peças que serviam de adorno aos altares da basílica de S. Pedro, e outras trabalhos menores.

Tomando parte num concurso da Academia de S. Lucas, ganhou o prémio com um trabalho em que representou a conhecida cena de Noé embriagado diante de seus filhos, sendo ele o primeiro português que em Roma alcançou tão sabida honra.

Regressando à pátria foi logo encarregado por D. João V de fazer um grande quadro do Santíssimo Sacramento para servir na procissão do Corpo de Deus, e depois de lhe pintar o retrato para servir de modelo aos cunhos da moeda.

Posteriormente pintou também na sacristia da igreja patriarcal alguns quadros.

Casou com D. Inês Helena de Lima e Melo, a tal menina que conhecera em criança. S família de D. Inês opunha-se ao casamento por julgarem o noivo de condição inferior.

Os pais da noiva, levaram a filha para o convento de Santana, e obrigaram-na a professar, embora ela protestasse era casada.

Francisco de Matos Vieira tentou por todos os modos legais tirar a esposa da clausura, mas como nem o próprio soberano o atendeu, decidiu voltar a Roma afim de pedir ao papa os breves precisos para a realização do seu desejo.

Esteve mais de 5 anos em Roma, no que respeita ás artes. tiveram eles o melhor êxito, porque, consolidando de dia para dia a sua reputação, foi feito académico de mérito na Academia de S. Lucas.

Dos trabalhos que então executou, especializa-se o quadro que pintou para a Academia representando Moisés na presença do rei do Egipto.

Voltando à pátria deliberou levar a efeito um projecto, saltando embora por cima de todas as leis civis e eclesiásticas.

Arranjou meio de lhe chegar ás mãos um fato completo de homem, e um dia, D. Inês saiu do mosteiro para se encontrar com seu marido, e assim no fim de tantos anos de trabalhos e de amarguras puderam unir-se os dois esposos.

Um irmão dela tentou vingar a honra da família supostamente ultrajada, e esperando o pintor próximo, da rua das Pretas, desfechou sobre ele um tiro de pistola, que o feriu gravemente.

Matos Vieira, resolveu, para viver sossegado, uma nova viagem a Roma, mas chegando a Sevilha em 1733, foi chamado a Lisboa, sendo nomeado pintor do rei com o ordenado mensal de 60$000 reis .

Esteve em Mafra, onde enviuvou em 1775, e com o desgosto pela perda da sua companheira, abandonou a pintura, e foi viver para o Beato António, passando ali os últimos anos da sua existência.

Algumas obras, que escaparam ao terramoto:

Painéis na igreja de S. Roque:

Santo António pregando aos peixes e Santo António prostrado diante de Nossa Senhora

Casa de Povolide

uns quadros de Santo António, S. Pedro, S. Paulo, a Família Sagrada, e Santa Bárbara,

Pertencente ao conde de Assumar

Sagrada Família

Convento do Menino de Deus

um grande painel representando S. Francisco,

A capela dos 7 altares da igreja de Mafra tem um grande quadro da Sacra Família.

na Junta do Comércio.

uma Senhora da Conceição,

Consta que na Biblioteca de Évora existe uma grande colecção de desenhos de Vieira Lusitano.


(Respigado de um artigo transcrito por Manuel Amaral no site Portal da História

domingo, 2 de janeiro de 2011

António José de Almeida



Nasceu em Vale da Vinha ,Penacova a 17 de Julho de 1866
Faleceu em Lisboa a 31 de Outubro de 1929

Era ainda aluno de Medicina em Coimbra quando publicou no jornal académico Ultimatum um artigo que ficou famoso, intitulado Bragança, o último, que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos.

Defendido por Manuel de Arriaga, acabou condenado a três meses de prisão.

Depois de terminar o curso, em 1895, foi para Angola e posteriormente estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe, onde exerceu medicina até 1904

Regressando a Lisboa nesse ano, foi para França onde estagiou em várias clínicas, regressando no ano seguinte. Montou consultório, primeiro na Rua do Ouro, depois no Largo de Camões, entrando então na política activa.Destacando-se desde logo pela sua eloquência,tornando-se um idolo nos comícios republicanos

Foi candidato do Partido Republicano em 1905 e 1906, sendo eleito deputado nas segundas eleições realizadas neste ano, em Agosto. Em 1906, em plena Câmara dos Deputados, equilibrando-se em cima duma das carteiras, pede aos soldados, chamados a expulsar os deputados republicanos do Parlamento, a proclamação imediata da república.

No ano seguinte adere à Maçonaria.

Foi preso por ocasião da tentativa revolucionária de Janeiro de 1908, dias antes do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. Posto em liberdade, continuou a sua acção demolidora pela palavra e pela pena, sobretudo enquanto director do jornal Alma Nacional.

Ministro do Interior do Governo Provisório, foi depois várias vezes ministro e deputado, tendo fundado em Fevereiro de 1912 o partido Evolucionista, que dirigirá como um partido republicano moderado organizado em torno do diário República, que tinha criado em Janeiro de 1911, e que também dirigia, opondo-se ao Partido Democrático de Afonso Costa, mas com o qual porém se aliou no governo da União Sagrada, em Março de 1916, ministério de que foi presidente.

Em 6 de Agosto de 1919 foi eleito presidente da República e exerceu o cargo até 5 de Outubro de 1923, sendo o único presidente que até 1926 ocupou o cargo até ao fim do mandato.

Durante o seu mandato deu-se o levantamento radical que desembocou na Noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados, por opositores republicanos, o chefe do governo da altura, António Granjo, assim como Machado Santos e Carlos da Maia. Nomeou 16 governos durante o seu mandato.

Os seus amigos e admiradores levantaram-lhe uma estátua em Lisboa, de autoria do escultor Leopoldo de Almeida e do arquitecto Pardal Monteiro, e coligiram os seus principais artigos e discursos em três volumes, intitulados Quarenta anos de vida literária e política, obra publicada em 1934.

Brito Camacho


Manuel de Brito Camacho nasceu em Aljustrel no dia 12 de Fevereiro de 1862.morreu em Lisboa a 19 de Setembro de 1934

Depois dos estudos primários frequentou o liceu de Beja que terminou em 1880. Partiu para Lisboa ficando à guarda de um tio. Em 1884 concluiu o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.

Ingressou no Exército Português como cirurgião-ajudante, Em 1891 e começou uma carreira como médico militar que o levaria a Coronel.

Brito Camacho entrou na política em 1893 quando se candidatou a deputado pelo círculo eleitoral de Beja nas listas republicanas, mas nunca tomou posse porque escreveu um artigo contra as instituições monárquicas no periódico Nove de Junho, de Beja, tendo sido suspenso por um ano e depois transferido para os Açores, como penalização.

Regressou ao continente em 1894 e em Abril fundou em Viseu O Intransigente, um jornal de crítica política e propaganda republicana e viria a fundar em Lisboa em 1906 o jornal a Luta, onde se revelou temível polemísta,convertendo-se no mais influente jornal republicano e no órgão oficioso do Partido Unionista de que Brito Camacho foi fundador e líder.


Em 1902 abandonou a medicina e dedicou-se exclusivamente ao jornalismo e à política.

Nas eleições realizadas depois do regicídio foi eleito deputado pelos republicanos e teve um papel muito importante na preparação do 5 de Outubro de 1910 sendo o elo de ligação entre republicanos e militares, dada a sua ligação ao exército.

A 23 de Novembro de 1910 foi nomeado Ministro do Fomento do Governo Provisório. Em 1912 reassumiu o cargo de director de A Luta e foi um dos protagonistas da cisão do Partido Republicano Português liderando a facção mais à direita do novo Partido da União Republicana.

Passou a desenvolver uma intensa acção jornalística e política assumindo-se como o principal opositor dos sucessivos governos formados pelo Partido Democrático. Em 1918, depois da eleição de António José de Almeida para a Presidência da Republica, afastou-se da actividade política, abandonou os cargos de liderança partidária e em 1920 recusou o convite para formar um governo apoiado pelo Partido Liberal Republicano.

Entre Março de 1921 e Setembro de 1923 exerceu as funções de Alto-Comissário da República em Moçambique. Depois da revolução de 28 de Maio de 1926 abandonou definitivamente a actividade política, retirando-se para a vida privada.

Para além de uma vasta obra jornalística e de comentário político, Brito Camacho é autor das seguintes obras:
  • Impressões de Viagem, 1902.
  • Contos e sátiras, 1920.
  • A Caminho d'Africa, 1923.
  • Os amores de Latino Coelho, 1923.
  • Quadros alentejanos, 1925.
  • Moçambique, Problemas Coloniais, 1926.
  • Jornadas, 1927.
  • D. Carlos, intimo, 1927.
  • Gente rústica, 1927.
  • Gente Vária, 1928.
  • Cenas da Vida, 1929.
  • De bom humor, 1930.
  • Gente bóer, 1930.
  • Por cerros e vales, 1931.
  • A Linda Emília, 1932.
  • Matéria vaga, 1934.
  • Política Colonial, 1936.
  • Rescaldo da guerra, 1936.
  • Questões nacionais, 1937.