Querendo ver outros blogs meus consultar a Teia dos meus blogs

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Veiga Beirão



  • Francisco António da Veiga Beirão
  • Nasceu em Lisboa a 24 de Julho de 1841
  • Morreu em Paço de Arcos a 11 de Novembro de 1916

Com 21 anos licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi professor do Instituto Português do Comércio

Exerceu advocacia e mais tarde tornou-se num reconhecido jurisconsulto e estadista,e presidiu largos anos à Associação dos Advogados de Lisboa e vice-presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa

Como profissional exerceu o cargo de conservador do Registo Predial da 1ª Conservatória de Lisboa .

Foi nomeado em 1887, professor no extinto Instituto Comercial de Lisboa, para as cadeiras de Direito Comercial e Marítimo e Direito Internacional, atingindo mais tarde a categoria de catedrático.

Reconhecido no estrangeiro, foi o primeiro português a receber uma importante distinção de Doctor of Civil Law , pela Universidade de Edimburgo, na Escócia no ano de 1905.

Depois de abraçar o Direito com muita distinção, em 1879 faz uma incursão muito forte na política.

  • Foi membro do Partido Reformista
  • deputado de 1880 a 1904 pelo Partido Progressista em rivalidade com José de Alpoim.
  • Foi Par do Reino em 4 de Abril de 1905.

  • Chega a ministro e, fica com a pasta da Justiça e Assuntos Eclesiásticos, por duas vezes nos anos de 1886-1890 e 1890-1900, governos chefiados por José Luciano de Castro, então líder do Partido Progressista.
  • De 1898 a 1900 foi ministro dos Negócios Estrangeiros. Depois de uma boa prestação neste cargo e na política,
  • chega a presidente do Conselho de Ministros em , 22 de Dezembro de 1909 a 26 de Junho de 1910 , mas sem pasta.
Ao nível do governo onde mais se destacou foi no ministério da Justiça, principalmente pela autoria do projecto que foi aprovado no Parlamento sobre o Código Comercial, 1888, onde granjeou a projecção política e fama pelo seu dom oratório no parlamento.

De notar que este Código continua em vigor, em Portugal, desde 1888, tendo sido, contudo, derrogado diversas vezes por diplomas avulsos reguladores de variadas matérias no âmbito do Direito Comercial, um dos quais, o Código das Sociedades Comerciais de 1986.

Veiga Beirão foi granjeado com muitas condecorações internas e externas, desde logo a mais importante de Portugal a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada.

Com a República, reformou-se da política e dedicou-se somente à carreira de advocacia e ao ensino e a uma Associação de advogados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Oliveira Martins


Joaquim Pedro de Oliveira Martins

  • Nasceu em Lisboa no dia 30 de Abril de 1845
  • Morreu em Lisboa no dia 24 de Agosto de 1894
Devido à morte do pai, em 1857,vitimado pela epidemia de febre amarela,teve de interromper os estudos liceais e empregar-se aos 15 anos para prover ao sustento da família

Em 1870 foi exercer funções de administrador de uma mina em Almadém em Córdova na Andaluzia, ao Sul de Espanha.

Regressou a Portugal em 1874, para dirigir a construção da linha férrea do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão ficando depois a dirigir a companhia encarregada da exploração económica dessa linha

Oliveira Martins foi um exemplo de autodidacta, vindo a tornar-se em 1878, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e em 1880 foi eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, e em 1884, director do Museu Industrial e Comercial do Porto.

Exerceu ainda as funções de administrador da Régie dos Tabacos, da Companhia de Moçambique e fez parte da comissão executiva da Exposição Industrial Portuguesa.

Este foi o aspecto profissional digamos assim de Oliveira Martins.

No aspecto cultural, em 1870 com 25 anos já tinha obra publicada no domínio do romance histórico com o livro Febo Moniz, vindo a colaborar no jornal revolução de Setembro e no jornal de Comércio, publicações onde saem os seus primeiros artigos sobre história e política social, onde entre outros artgios se publicará em 1869 uma série de 5 artigos com o título «Do princípio federativo e sua aplicação à Península Hispânica» .

É também desta época a publicação do opúsculo Teófilo Braga e o Cancioneiro e o Romanceiro Português (1869), que é fruto da correspondência trocada entre ambos.

Tentará também a poesia com o Traga-Mouros, sendo admitido, em princípios de 1870 no Cenáculo de Antero Quental, de quem se tornou grande amigo.

Nesse ano, lança o jornal de feição socialista A República, com Antero, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Luciano Cordeiro, Batalha Reis e Teófilo Braga, no mesmo ano em que o marechal Saldanha realiza o seu último golpe de estado - a Saldanhada.

O jornal desaparece tão rapidamente como o governo do marechal, levando Oliveira Martins a ir viver para Espanha, como já acima tinha referido.

Em 1874 , quando regressa ao Porto. nos dois primeiros anos, por causa da tal empreitada do caminho de ferro não consegue escrever muito, tirando um ou outro artigo para a Revista Ocidental,tendo também publicado a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

As incursões na área política, não tiveram sucesso inicial dada a recusa de Fontes Pereira de Melo em o deixar concorrer pelo Partido Regenerador, escreve então A Reorganização do Banco de Portugal, onde defende a existência de um banco emissor único, e no ano seguinte A Circulação Fiduciária, memória apresentada à Academia das Ciências de Lisboa.

Em 1878 e em 1879 concorre às eleições, no Porto, pelo Partido Socialista, tendo recebido 37 votos no primeiro ano e 40 na segunda tentativa.

A impossibilidade de entrar na vida política, devido primeiro à recusa do Partido Regenerador, e depois à debilidade do Partido Socialista e ao corte com o Partido Republicano, levam-no a lançar a Biblioteca das Ciências Sociais, cujos primeiros volumes são a História da Civilização Ibérica, e a História de Portugal.

Em 1884, António Augusto de Aguiar nomeia-o director da Escola e Museu Industrial e Comercial do Porto, ano em que publica o último livro da Biblioteca, a História da República Romana, em que descreve a vida de Júlio César.

Em 1885, colige vários artigos dispersos por órgãos da imprensa nacional e lança um jornal - A Província - para divulgar o seu programa político.

Em 1886,é eleito deputado por Viana do Castelo, mas quando Luciano de Castro forma governo, as Finanças são entregues a Mariano de Carvalho, recusando ele a pasta das Obras Públicas.

Em 1888 regressa a Lisboa e assume a direcção do jornal O Repórter, cargo que ocupa por pouco tempo, pois Mariano de Carvalho nomeia-o para a Administração dos Tabacos, cargo que ocupará durante dois anos.

Em Fevereiro de 1892 aceita finalmente a pasta das Finanças no ministério de Dias Ferreira. Trabalha afincadamente nos primeiros tempos, mas o presidente do conselho não gosta da sua independência. Entram em conflito e Oliveira Martins é obrigado a demitir-se.

Apos uma breve passagem por Londres, regressa em 1893 sendo de novo eleito deputado
pelo Porto e também como membro da Junta de Crédito Público ao mesmo tempo que escreve a Vida de Nun'Álvares e prepara o Príncipe Perfeito.

Já doente parte para Espanha, para se documentar sobre a Batalha de Toro, regressando bastante pior. Vai para Setúbal, onde escreve o 1.º capítulo de O Príncipe Perfeito.

Morre em 24 de Agosto de 1894, apenas com 49 anos vitimado pela tuberculose tendo dito na hora da morte "Morro triste não levo saudades do Mundo".

A evolução do seu pensamento político, inicido pelo republicanismo social evolui para um socialismo proudhoniano, definido por uma democracia socializante, mas assente em Estado forte.

Tinha casado em 10 de Março de 1865 com D. Vitória de Mascarenhas Barbosa, não tendo tido descendência.