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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Paiva Couceiro


Henrique Mitchell de Paiva Couceiro
  • nasceu em Lisboa a 30 de Dezembro de 1861
  • morreu em Lisboa a 11 de Fevereiro de 1944
filho do general José Joaquim de Paiva Cabral Couceiro e de Helena Isabel Teresa Mitchell, uma protestante irlandesa convertida ao catolicismo, que depois de educada num colégio de freiras em França, viera residir em Portugal como mestra das filhas do visconde do Torrão.




A mãe era de uma fé intensa e militante, razão pela qual Henrique Paiva Couceiro cresceu num ambiente de religiosidade exacerbada.pelo que a educação recebida e a duradoira influência materna terá levado a que no fim da vida Paiva Couceiro confessasse que lera muito poucos romances e que nunca fora ao teatro nem ao cinema.

Pelo contrário, ia diariamente à missa, quando não estava em campanha, e em campanha todos os dias lia a Imitação de Cristo, preparando-se para o supremo sacrifício.Terá considerado, em 1891, após o seu regresso das campanhas no sul de Angola, ingressar numa ordem religiosa.

Destinado à carreira das armas,assentou praça como voluntário no Regimento de Cavalaria Lanceiros de El-Rei (o Regimento de Cavalaria n.º 2),

A 24 de Junho de 1881, na véspera de ser promovido a alferes de artilharia, num acesso de raiva causado por um insulto banal, disparou cinco tiros da sua pistola de guerra num desconhecido que, nas palavras dos autos apresentados em conselho de guerra, roçara pelo ombro do réu no Chiado, proferindo uma frase injuriosa e ofensiva para a sua dignidade. O simples insulto fora razão suficiente para que, desvairado pelo insulto, Paiva Couceiro desferisse imediatamente cinco tiros, três dos quais acertaram no homem, que esteve 42 dias doente.

Vindo a ser condenado a dois anos de prisão militar vindo a ser comutada a pena na de seis meses da mesma prisão, regressando à escola do exercito em 26 de Outubro de 1882.

Foi promovido ao posto de capitão, oferecendo-se então para realizar, como voluntário, uma comissão de serviço nas colónias ultramarinas, onde então se desenvolvia um esforço de efectiva ocupação do território, consequência da Conferência de Berlim sobre a partição da África entre as potências coloniais europeias.

Chegado a Angola foi logo nomeado comandante do Esquadrão Irregular de Cavalaria da Humpata, um grupo de caçadores a cavalo, sediado na vila de Humpata, que fora criado por Artur de Paiva para combater os bandos de salteadores (designados por guerras) que então assolavam o planalto de Moçâmedes.

Regressado ao Bié, participou, com as forças de Artur de Paiva, na expedição punitiva que terminou na prisão e deposição do soba Dunduma (ou N’Dunduma) subjugando o reino do Bié. vingando a morte de Silva Porto.

A 17 de Fevereiro de 1891, o Ministério da Marinha e Ultramar deu por terminada a sua comissão de serviço ultramarino e ordenou o seu regresso a Portugal.

Coberto de glória e fama nacional, foi agraciado com o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada.

Descontente com a vida de quartel, em 1893 pediu licença para servir na legião estrangeira do Exército Espanhol e combateu nos últimos meses da campanha de Melila, da Guerra do Rif então travada no Marrocos Espanhol, distinguindo-se a ponto de merecer a medalha espanhola de mérito militar.

Quando em Outubro de 1894 os povos do sul de Moçambique se rebelaram e atacaram Lourenço Marques, o governo presidido pelo regenerador Hintze Ribeiro, nomeou o antigo ministro progressista António Enes para o cargo de comissário régio em Moçambique, com a missão de esmagar a revolta dos povos autóctones e reafirmar a soberania portuguesa sobre a região, então ameaçada pelos britânicos, liderados por Cecil Rhodes, que consideravam os portugueses incapazes de manter a posse do território moçambicano.

Provavelmente devido à sua fama africanista granjeada em Angola, Paiva Couceiro foi convidado e aceitou o convite para o cargo de ajudante de campo do comissário régio em Moçambique.

A expedição desembarcou em Lourenço Marques a 18 de Janeiro de 1895. A situação encontrada não podia ser pior, pois a esmagadora maioria dos régulos da região estava contra os portugueses, estando estes encurralados em Lourenço Marques, incapazes de controlar as imediações da cidade, onde mesmo a ilha Xefina fora ocupada pelos insurgentes.

António Enes, desencadeou um conjunto de campanhas militares, elegendo como principal adversário Gungunhana, o rei dos vátuas e imperador de Gaza, de facto suserano da generalidade das tribos do sul de Moçambique.

Nestas campanhas, Paiva Couceiro teve acção notável, particularmente nos combates de Marracuene e Magul, travado a 2 de Novembro contra as forças de Gungunhana, sendo ferido neste combate.

No combate de Marracuene, travado a 2 de Fevereiro de 1895, Paiva Couceiro ganhou grande destaque, particularmente ao liderar as tropas que repeliram as forças inimigas que tinham penetrado o quadrado defensivo português, uma manobra considerada de extrema dificuldade e que exigia enorme coragem.

Em Agosto de 1895 foi feito cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis, como prémio pelo seu desempenho em Marracuene.

Demonstrando extraordinária coragem física, Paiva Couceiro ficou célebre, nomeadamente, na luta contra as forças de Gungunhana. Pelos seus feitos militares, foi alvo de diversas condecorações e homenagens, particularmente após o aprisionamento de Gungunhana e a sua extradição para Portugal.

Chegado a Lisboa, foi feito comendador da Torre e Espada, com uma pensão anual de 500$000 réis. Foi o primeiro e provavelmente o único oficial Português a ser agraciado, até hoje, com três graus da Torre e Espada.

Nesse mesmo ano de 1896 casou com Júlia Maria de Noronha,filha e única herdeira do 3.º conde de Parati, tendo como padrinho do casamento o próprio rei D. Carlos I.

Em entrevista e intervenções públicas, assume-se como um novo Nuno Álvares Pereira, puro e impoluto, pronto a salvar Portugal.

O seu pensamento político, imbuído de nacionalismo e de catolicismo, precede em muitos aspectos o Integralismo Lusitano, no qual aliás mais tarde se integraria, embora sejam claras as influências de intelectuais como Oliveira Martins e Guerra Junqueiro, em especial do Finis Patriae deste último.

Apesar das suas ligações à Casa Real, a 6 de Dezembro de 1902 foi transferido compulsivamente para Évora. Esteve virtualmente exilado naquela cidade até Novembro de 1903, quando a subida ao poder do ministério progressista chefiado por José Luciano de Castro, o transferiu para o Grupo de Baterias a Cavalo de Queluz, onde permaneceu até 1906.

Durante o período de permanência em Évora e nos meses subsequentes foi-se progressivamente aproximando de João Franco e das ideias ordeiras do Partido Regenerador-Liberal,

Em 1905, após as eleições gerais de 12 de Fevereiro (a 37.ª legislatura) e quando se tornou claro que o rei D. Carlos I pretendia finalmente apoiar a reforma do regime, o que eventualmente passaria pela entrega do poder a João Franco, Paiva Couceiro e outros ‘’africanistas’’ famosos, entre os quais Freire de Andrade, Aires de Ornelas, Ivens Ferraz e João Baptista Ferreira, decidiram-se finalmente a abandonar a posição pretensamente supra partidária em que se tinham colocado e inscreveram-se no Partido Regenerador-Liberal, anunciando que o faziam para que os portugueses não perdessem a confiança no futuro da raça.

A sua presença no parlamento, inicialmente discreta e centrada no trabalho das comissões a que pertencia, foi-se progressivamente alargando e afirmando, essencialmente em matérias coloniais e militares.

Revelou-se um opositor assertivo das políticas progressistas e um apoiante das medidas ordeiras, mesmo que anti-democráticas. Sempre que se falava das colónias, em especial de Angola, reagia com paixão, defendendo que aquela colónia era o único recurso para tornar maior este Portugal tão pequeno.

A sua carreira parlamentar terminou quando a 2 de Maio de 1907 o presidente do Governo, João Franco, resolveu separar-se dos progressistas

Tendo falecido no dia 1 de Maio daquele ano (1907) o governador-geral de Angola, Eduardo Augusto Ferreira da Costa, aparentemente por sugestão do rei D. Carlos I, o novo Ministro da Marinha e Ultramar, o seu camarada africanista Aires de Ornelas, convida Paiva Couceiro para o lugar de governador-geral de Angola.

O facto de ter sido apoiante de João Franco em boa parte explica ter sido nomeado para o cargo, que obviamente era necessariamente da confiança política do chefe do Governo.

Ainda assim, apesar do governo de João Franco ter caído em Fevereiro de 1908, vítima do regicídio que vitimou D. Carlos, Paiva Couceiro manteve-se no cargo até 22 de Julho de 1909, apesar dos protestos da população europeia que queria a sua continuação no governo


Chegado a Lisboa em princípios de Julho, a 22 daquele mês foi oficialmente exonerado a seu pedido. Apesar dos constantes escândalos em que mergulhara a política portuguesa, em particular a revelação do gigantesco desfalque no Crédito Predial Português, Paiva Couceiro manteve-se relativamente arredado da vida pública, prestando em Setembro provas para promoção a major.

. Depois envolve-se num conjunto de pretensas conspirações inconsequentes, aparentemente visando implantar um regime monárquico liberto do parlamento, defendendo, paradoxalmente, muitas das ideias que depois os republicanos anti-democráticos adoptariam.

Sem que os seus apelos fossem ouvidos, o regime degrada-se rapidamente e a 5 de Outubro ocorre a esperada revolução e é implantada a República Portuguesa. Paiva Couceiro foi um dos poucos comandantes militares que tentou, seriamente, travar os revoltosos, sem sucesso.

Em 1910, aquando da instauração da República, Paiva Couceiro contava-se entre os defensores da causa monárquica, com a sua artilharia instalada no Torel, foi o único oficial que fez fogo sobre o acampamento Republicano da Rotunda e o Parque Eduardo VII.

Sentindo-se abandonado pelo resto das tropas Monárquicas, e depois de bombardear a Rotunda, marchou para Sintra a fim de se juntar ao Rei. Aí veio a saber que o Rei partira para Mafra, Paiva Couceiro aproximava-se de Mafra quando foi informado que o Rei D. Manuel II tinha embarcado na Ericeira.

Por decisão superior, e perante tal situação, recolheu com as suas tropas ao quartel .

Apesar de ser conhecido como Monárquico irredutível, logo no dia 6 de Outubro, Paiva Couceiro era procurado por um enviado do Governo Provisório que queria saber o que viria a ser a sua atitude perante o novo regime , que terá dito

"Reconheço as instituições que o Povo reconhecer. Mas se a opinião do Povo não for unânime, isto é, se o Norte não concordar com o Sul, estarei até ao fim ao lado dos fiéis à tradição. E se acaso se desse uma intervenção estrangeira para sustentar a Monarquia, então passar-me-ia para o lado da República".

Comandou a incursão monárquica de 1911; a 4 de Outubro de 1911 as suas tropas entram em Portugal por Cova de Lua, Espinhosela e Vinhais, onde foi hasteada na varanda da Câmara Municipal a bandeira azul e branca, e tomam Chaves.

Três dias mais tarde, derrotadas pelas forças republicanas, as tropas de Paiva Couceiro retiram-se para a Galiza.

Em Dezembro de 1911 participa nas reuniões que trataram da "questão dinástica" entre D. Manuel II e seu primo D. Miguel e que veio a ter o seu epílogo no Pacto de Dover cujo projecto redige em Londres a 30 de Dezembro de 1911.

A de 6 de Julho de 1912 comanda nova incursão, a 2a incursão monárquica, em que as suas tropas são de novo derrotadas, também em Chaves, a 8 de Julho desse ano.

Pouco antes da 2a incursão, a 17 de Junho de 1912, foi julgado à revelia pelo Tribunal do Segundo Distrito do Porto, sendo Paiva Couceiro condenado a seis anos de prisão maior celular ou dez anos de degredo e "esta pena relativamente suave foi dada em atenção aos serviços prestados à Pátria.

Mais tarde, em 1915, de volta ao País após o seu primeiro exílio, foi convidado para Governador de Angola, pelo ainda recente Governo Republicano, representado por Araújo de Sá, Oliveira Jericote e outro, que o procuraram na sua casa de Oeiras.

Paiva Couceiro recusou servir o novo regime e instalou-se em Espanha onde preparou a restauração da Monarquia, movimento que ficou conhecido por Monarquia do Norte.

Em 1919 proclamou a Monarquia do Norte, de curta duração, da qual foi o Presidente da Junta Governativa do Reino.

Em 1919, após o assassinato de Sidónio Pais, Paiva Couceiro vê a sua grande oportunidade de lutar pela restauração do regime em que acreditava. Assim, volta a organizar uma incursão dos monárquicos exilados, consegue subverter as instituições da parte do território português que ia do Minho à linha do Vouga, e, em nome do rei D. Manuel II de Portugal, exilado na Grã-Bretanha, e estrategicamente, restaura a Carta Constitucional de 1826.

Abrangido por uma amnistia decretada em Janeiro de 1924, volta ao País mas é de novo exilado pelo salazarismo a 16 de Setembro de 1935, por seis meses, por ter criticado publicamente a política colonial do regime.

Volta para Lisboa, vindo de Tuy onde estivera exilado, a 13 de Janeiro de 1937.

Numa famosa carta dirigida ao Presidente do Conselho de Ministros, Dr. Oliveira Salazar, a 31 de Outubro de 1937, foi preso pela "Policia de Defesa Social e Politica" durante 6 dias a 13 de Novembro desse ano, condenado a dois anos de exílio e forçado a retirar-se da vida política, sendo enviado, apesar dos seus 76 anos (!), para Granadilla de Abona, colónia Espanhola de Santa Cruz de Tenerife, nas Canárias.

Em 1939, António de Oliveira Salazar permitiu o seu regresso a Portugal, onde acabou por viver os últimos anos da sua vida.

Dedicou-se à escrita, tendo publicado uma extensa obra dedicada essencialmente às questões coloniais e à temática do ressurgimento nacional, com um cunho nacionalista que o aproxima do integralismo lusitano.

origem : wikipédia

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

José Relvas



  • Nasceu na Golegã a 5 de Março de 1858
  • Morreu em Alpiarça a 31 de Outubro de 1929
Era filho de Carlos Relvas um abastado lavrador e proprietário, e de D. Margarida Amália de Azevedo Relvas.

Matriculou-se inicialmente em Coimbra para tirar Direito mas viria a abandonar esse curso para seguir o Curso de Letras que viria a concluir em 1880, defendendo tese com O Direito feudal

José Relvas viria a aderir ao Partido Republicano já perto dos 50 anos, no contexto da crise política provocada pela chamada ao poder, por parte do rei. D.Carlos a João Franco

Membro do directório do Partido Republicano Português, formado em 1909, com a incumbência de fazer a revolução

Foi o "escolhido" para proclamar a República, a 5 de Outubro da varanda da Câmara de Lisboa porque era um dos dirigentes "mais antigos" do directório do Partido Republicano, lavrador abastado que granjeou prestígio nacional, sobretudo enquanto líder associativo dos agricultores ribatejanos.

Foi ministro das finanças do respectivo do Governo Provisório a partir de 12 de Outubro até à auto-dissolução em 4 de Setembro de 1911, sendo ele o responsável, nomeadamente, pela introdução da reforma monetária que criou o escudo.

Depois exerceu o cargo de embaixador de Portugal em Espanha entre 1911 e 1914, quando regressou a Portugal para assumir o seu lugar no Senado, por entender que a sua legitimidade vinha do cargo para o qual havia sido eleito. Acabou por resignar em 1915.

Esteve em seguida bastantes anos afastado da actividade política dedicando-se aos seus negócios, até ser nomeado primeiro ministro, a 27 de Janeiro de 1919,tendo exercido aquele cargo até 30 de Março do mesmo ano.

Abastado lavrador e homem de vasta cultura, reuniu valiosas colecções artísticas na sua casa em Alpiarça que viria a transformar por testamento um ano antes de morrer no museu da casa dos Patudos.

O Arquivo Histórico da Casa dos Patudos preserva acervo documental por si legado maisa a Quinta dos Patudos, a Casa, a colecção de arte, a biblioteca e o arquivo, ao Município de Alpiarça, impondo que a residência fosse conservada como museu e mantivesse a designação de Casa dos Patudos


terça-feira, 27 de julho de 2010

António Teixeira de Sousa




  • nasceu em Celeirós a 5 de Maio de 1857
  • faleceu no Portoem 5 de Junho de 1917
  • foi um médico termalista transmontano, escritor, deputado, par do reino, ministro de estado e líder do Partido Regenerador.
  • Presidiu ao último governo da monarquia constitucional de Portugal, sendo deposto pela Revolução de 5 de Outubro de 1910.

  • Biografia

António Teixeira de Sousa frequentou o Liceu de Vila Real a partir de 1874, sendo um aluno aplicado e distinto.

Inscreveu-se em 1877 nos preparatórios de medicina na Academia Politécnica do Porto, entrando no ano seguinte para a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde terminou o curso em 1883, com uma dissertação sobre Enervação do coração.

Foi aluno brilhante, recebendo o Prémio Macedo Pinto, instituído para galardoar o médico mais distinto que saísse daquela Escola.

No mesmo ano de 1893, foi nomeado médico municipal de Valpaços, lugar que trocou no ano seguinte pelo de director técnico do Estabelecimento Termal das Pedras Salgadas, cargo que ocupou até 1897.

Em 1895 foi nomeado cirurgião ajudante do exército

Accionista da Empresa das Águas do Vidago, foi eleito procurador à Junta Geral do Distrito de Vila Real, pelo concelho de Alijó, e como este lugar fosse incompatível com o de médico militar, abandonou o exército no mesmo ano, servindo até à extinção das Juntas Gerais, várias vezes como membro da comissão executiva

Entretanto exercia a clínica termal nas Pedras Salgadas e em Vidago e publicou algumas obras sobre termalismo.

Regenerador, em 1889 foi eleito deputado por Alijó, iniciando uma carreira política em Lisboa, que o levaria à liderança do partido e à presidência do ministério.

Como membro destacado do Partido Regenerador, assumiu nos últimos anos da monarquia um crescente protagonismo:

  • Inspector da Companhia de Tabacos de Portugal de 1891 a 1900;
  • Administrador Geral das Alfândegas de Maio a Outubro de 1904;
  • Governador do Banco Nacional Ultramarino de Fevereiro de 1909 a 1910;
Nos governos regeneradores de Hintze Ribeiro exerceu os cargos de
  • Ministro da Marinha e Ultramar e Ministro do Ultramar de 25 de Junho de 1900 a 28 de Fevereiro de 1903,
quando fundou em Lisboa o Hospital Colonial , constituindo ao mesmo tempo o ensino da medicina tropical

  • Ministro dos Negócios da Fazenda, desde aquela data até 20 de Outubro de 1904.
  • Retoma a pasta da fazenda de 21 de Março a 19 de Maio de 1906, em novo governo de Hintze Ribeiro, onde representava a tendência percebida como mais próxima de João Franco.
Introduziu reformas fiscais e solucionou a questão dos tabacos

Eleito líder do Partido Regenerador a 23 de Dezembro de 1909, quase de imediato forma governo a convite do rei D. Manuel II.

Governou de 26 de Junho a 4 de Outubro de 1910 (102 dias), sendo deposto pela revolução republicana de 5 de Outubro de 1910.

Foi o último Presidente do Conselho (Primeiro Ministro) da monarquia constitucional portuguesa
.
Era amigo pessoal de Afonso Costa, Bernardino Machado, Brito Camacho e França Borges, sendo reputado um liberal à antiga e adepto confesso das liberdades cívicas, de tal forma que quando em 28 de Janeiro de 1908 foi jugulada uma conspiração conjugada entre dissidentes progressistas e republicanos, o líder progressista José de Alpoim procurou refúgio em sua casa.

Afastado da vida política pelo advento da República, faleceu em Lisboa em 1917.

Obras principais

  • 1906-A questão dos tabacos
  • 1912-Para a história da revolução

sábado, 24 de julho de 2010

José Luciano de Castro



  • nasceu na Oliveirinha distrito de Aveiro a 14 de Dezembro de 1834
  • morreu a 9 de Março de 1914

  • foi um advogado, jornalista e político que se notabilizou como um dos fundadores do Partido Progressista, ao qual presidiu a partir da morte de Anselmo José Braamcamp (1885).
  • Foi deputado, ministro e Presidente do Conselho de Ministros em diversas ocasiões, incluindo durante o ano de 1890, quando a 11 de Janeiro Portugal recebeu o ultimato britânico, do qual resultou a queda do seu governo e o início de uma longa crise política que desembocou na implantação da República Portuguesa a 5 de Outubro de 1910.
  • Foi ainda par do Reino, conselheiro de Estado; director geral dos Próprios Nacionais; vogal do Supremo Tribunal Administrativo e governador da Companhia Geral de Crédito Predial Português.
Alcunhado de "a velha raposa", foi certamente uma das mais proeminentes figuras da cena política portuguesa nas últimas três décadas da Monarquia Constitucional Portuguesa, à qual se manteve sempre fiel, mesmo após o seu derrube em 1910.


Descendia de uma família aristocrática que, pela linha materna, se cruzava com a do marquês de Pombal.


Tendo declarado a sua data de nascimento como sendo 1833 em vez de 1835, o ano em que realmente nascera, completou estudos secundários em Aveiro e obteve um ingresso precoce na Universidade de Coimbra, em cujo curso de Direito se matriculou no ano lectivo de 1849-1850.

Formou-se bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra em 1854, com apenas 19 anos de idade, dedicando-se em seguida à advocacia, ao jornalismo e à política. Nesse mesmo ano de 1854, apesar de ainda não ter perfeito o requisito constitucional de ter 21 anos de idade, graças à falsificação que lhe permitira o ingresso antecipado na Universidade, foi eleito deputado pelo círculo plurinominal da Feira, sendo com toda a probabilidade o mais jovem parlamentar eleito de todo o período monárquico português.

A partir de 1858 passou a viver na cidade do Porto, onde colaborou com o Nacional, Comércio do Porto e Jornal do Porto. Escreveu ainda para a Gazeta do Povo, País e Progresso, todos de Lisboa.

Como ministro e como deputado, desde 1854, apresentou às cortes diferentes propostas e projectos de lei, conforme consta do Diário das Sessões da Câmara dos deputados, acompanhados de relatórios importantes. Pertenceu a grande número de comissões parlamentares e extra- parlamentares.

Casou em 1865 com Maria Emília Cancela Seabra, filha de Alexandre Ferreira de Seabra, advogado, jurisconsulto e presidente da Câmara Municipal de Anadia, que seria autor de um projecto de Código de Processo Civil concluído em 1869.

Na sequência do casamento, radicou-se em Anadia, estabelecendo por essa via grande ligação ao mundo vinhateiro. A sua presença na região atraiu muitas das mais altas personalidades da política da época à Bairrada e a Aveiro, o que aliado ao seu interesse por projectos locais trouxe vantagens para o desenvolvimento regional, salientando-se, entre as maiores realizações que apoiou, a construção do Palace Hotel, no Buçaco

  • Foi pela primeira vez chamado a integrar um governo quando o duque de Loulé o convidou para o cargo de Ministro da Justiça e Cultos do terceiro governo do Partido Histórico e 30.º da Monarquia Constitucional Portuguesa, tendo tomado posse a 11 de Agosto de 1869 e mantendo-se no cargo até à queda daquele executivo a 20 de Maio de 1870.

Por esta altura foi um dos primeiros políticos portugueses a defender claramente o rotativismo e a necessidade de consolidar o sistema partidário, ao declarar a 13 de Janeiro de 1871, em plena Câmara dos Deputados e em resposta a Fontes Pereira de Melo, que ‘’é necessário que se organizem dois partidos, somente; um – mais ou menos conservador, e outro – mais ou menos avançado’’.

Este entendimento fez dele, a partir dessa época e até ao fim da Monarquia, um dos pólos do sistema de poder em Portugal, dominando mesmo a fase crepuscular do regime.

  • Voltou ao executivo com a pasta de Ministro do Reino a 1 de Junho de 1879 no primeiro governo do Partido Progressista presidido por José Anselmo Braamcamp, nele permanecendo até 25 de Março de 1881. A pasta do Reino era tradicionalmente a mais importante do executivo, o que dá uma medida do capital político que já granjeara. Como ministro apresentou em 4 de Fevereiro de 1880 uma proposta de lei sobre a responsabilidade ministerial, que não chegou a ser discutida na Câmara dos Pares, apesar de aprovada na Câmara dos Deputados.
Em 1876 foi um dos fundadores do Partido Progressista, partido a que presidiria após a morte de Anselmo José Braamcamp, ocorrida em 1885. Assumiu a liderança dos progressistas a 10 de Dezembro daquele ano, com o apoio de Henrique de Barros Gomes e Joaquim Pedro de Oliveira Martins e a oposição de Emídio Navarro e Mariano Cirilo de Carvalho.

  • Foi pela primeira vez chamado a formar governo, assumindo as funções de Presidente do Conselho de Ministros, a 20 de Fevereiro de 1886, mantendo-se no cargo até 14 de Janeiro de 1890, acumulando a pasta de Ministro do Reino. Para os padrões da política portuguesa da época foi um governo duradouro, tendo durante o mandato vencido as eleições gerais de 6 de Março de 1887 (113 deputados) e de 20 de Outubro de 1889.
Foi nomeado par do reino em 1887, tomando assento na respectiva câmara a 21 de Abril desse ano.

  • Foi chamada pela segunda vez à chefia do governo a 7 de Fevereiro de 1897, tendo permanecido no poder até 25 de Junho de 1900. Estabeleceu como objectivos do seu governo assegurar a escrupulosa administração dos dinheiros públicos e impedir que as receitas do Estado sejam aplicadas, no todo ou em parte, por modo diverso do que determinam os preceitos legais.
  • Por decreto de 20 de Outubro de 1904 foi nomeado para presidir ao Conselho de Ministros pela terceira e última vez. Governou entre 20 de Outubro de 1904 e 19 de Março de 1906, sem acumular qualquer pasta.
  • Voltou a ser nomeado Presidente do Conselho de Ministros por decreto de 27 de Dezembro de 1905.
Entretanto fora nomeado para suceder a Fontes Pereira de Melo nas funções de governador da Companhia Geral do Crédito Predial Português, cargo que exerceu, alternando com as funções ministeriais, de 31 de Março de 1887 a 4 de Junho de 1910, data em que se demitiu na sequência de um grande escândalo financeiro, o último da Monarquia, que quase arruinou aquela empresa.

Era o fim da carreira, a meses do fim do regime: a 5 de Outubro daquele ano é proclamada a república e Portugal e apesar da sua casa em Lisboa ter sido invadida, não foi molestado.

Permaneceu em Lisboa algum tempo, em frágil estado de saúde, mas vendo o caso do Crédito Predial resolver-se de forma que lhe não foi inteiramente desfavorável. Doente, no Verão de 1913 partiu para a sua casa em Anadia, onde faleceu no ano seguinte.

A sua ligação a Anadia é recordada no nome da unidade de saúde que serve aquela localidade, o Hospital de José Luciano de Castro.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

José da Costa e Silva



  • Nasceu em Vila de Povos perto de Vila Franca de Xira a 25 de Julho de 1747
  • Faleceu no Rio de Janeiro a 21 de Março de 1819


  • Arquitecto e professor de arquitectura, foi em Itália que fez os seus estudos em Itália por ordem do Marquês de Pombal. com a obrigação de se dedicar em exclusivo à arquitectura civil

  • Professor da Aula de desenho e Arquitectura em 1781.

  • Elaborou os projectos do Teatro Nacional de S. Carlos (1792) e do Hospital de Runa, asilo e hospital de militares inválidos e a Igreja do Loreto

  • Dirigiu a construção do Palácio Nacional da Ajuda, em conjunto com Francisco Xavier Fabri, e foi arquitecto das Obras Públicas e Reais. Seguindo a Corte, partiu em 1807 para o Brasil, onde veio a falecer.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

João de Azevedo Coutinho



  • nasceu em Alter do Chão a 3 de Fevereiro de 1865
  • morreu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1944

João de Azevedo Coutinho Fragoso de Sequeira seu nome completo, foi um político, administrador colonial e militar da Armada tendo atingido o posto de vice-almirante honorário, tendo aos 25 anos sido proclamado um dos heróis africanos referenciado cmo Benemérito da Pátria pela Câmara dos Deputados das Cortes, pelo seu papel nas campanhas em Moçambique e recebendo por isso a Torre e espada.

Foi governador de Moçambique entre 1905 e 1906 e depois ministro da Marinha e do Ultramar e senador. Monárquico convicto, foi lugar-tenente do rei D Manuel II.

Reformado em 25 de Novembro de 1910, com o posto de capitão de fragata, chefiou em 1919 com Aires de Ornelas a tentativa feita em Lisboa de restauração da Monarquia, em 1942 foi promovido a Vice-Almirante nonorário.



segunda-feira, 5 de julho de 2010

Luis Pinto de Sousa Coutinho




  • nasceu em Leomil a 27 de Novembro de 1735
  • morreu em Lisboa a 15 de Abril de 1804


  • primeiro visconde de Balsemão, por nomeação de D.Maria I e foi um político português.
Foi governador da capitania de Mato Grosso, de 1769 a 1772.
Foi secretário de estado (primeiro-ministro) durante o reinado de D. Maria I, de 15 de Dezembro de 1788 a 6 de Janeiro de 1801 e de 25 de Agosto a 5 de Dezembro de 1803.

A Secretaria de Estado começou a intervir mais claramente nos assuntos militares, quando foi entregue, em 15 de Dezembro de 1788, a Luís Pinto de Sousa - um militar, com larga experiência colonial e diplomática -, que impôs uma política de modernização do exército

Foi ele que negociou e assinou o Tratado de Badajoz em 1801

domingo, 4 de julho de 2010

Martinho de Melo e Castro



  • Nasceu em Lisboa a 11 de Novembro de 1716
  • Morreu em Lisboa a 24 de Março de 1795

Diplomata e estadista da segunda metade do século XVIII, é ainda uma figura mal conhecida da nossa história. Era filho segundo duma família nobre, que conduzia normalmente a uma carreira eclesiástica, pelo que viria a concluir os seus estudos em Évora e Coimbra.

Entrou na carreira diplomática logo no reinado de D.José, quando foi nomeado embaixador em Haia e depois em Londres viajou para o Brasil entre os anos de 1754 e 1756 na comitiva de Mendonça Furtado, que fora enviado por Marquês de Pombal, para ser o Vice-Rei do Pará e Maranhão

Foi-lhe confiada no final da Guerra dos 7 anos (1756-1763) a representação de Portugal nas negociações de paz de Fontainebleau, que lhe valeu a introdução na alta roda da política internacional

Voltou a Londres em 1770, tendo sido depois chamado a ocupar a Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar, ainda no tempo de Pombal e da rainha D.María, até à sua morte em 1795, constituindo um dos caso de maior longevidade governativa do sec. XVIII

Ele desenvolveu dum modo notável a nossa marinha, que chegou a contar 71 navios, havendo entre eles 12 naus, melhorou igualmente os serviços da. marinha, estando ligado
a fundação da Cordoaria,

Filho de Francisco de Melo e Castro e de Maria Joaquina Xavier da Silva, e pai de Manoel Bernardo de Melo Castro.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Veiga Beirão



  • Francisco António da Veiga Beirão
  • Nasceu em Lisboa a 24 de Julho de 1841
  • Morreu em Paço de Arcos a 11 de Novembro de 1916

Com 21 anos licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi professor do Instituto Português do Comércio

Exerceu advocacia e mais tarde tornou-se num reconhecido jurisconsulto e estadista,e presidiu largos anos à Associação dos Advogados de Lisboa e vice-presidente da Academia Real das Ciências de Lisboa

Como profissional exerceu o cargo de conservador do Registo Predial da 1ª Conservatória de Lisboa .

Foi nomeado em 1887, professor no extinto Instituto Comercial de Lisboa, para as cadeiras de Direito Comercial e Marítimo e Direito Internacional, atingindo mais tarde a categoria de catedrático.

Reconhecido no estrangeiro, foi o primeiro português a receber uma importante distinção de Doctor of Civil Law , pela Universidade de Edimburgo, na Escócia no ano de 1905.

Depois de abraçar o Direito com muita distinção, em 1879 faz uma incursão muito forte na política.

  • Foi membro do Partido Reformista
  • deputado de 1880 a 1904 pelo Partido Progressista em rivalidade com José de Alpoim.
  • Foi Par do Reino em 4 de Abril de 1905.

  • Chega a ministro e, fica com a pasta da Justiça e Assuntos Eclesiásticos, por duas vezes nos anos de 1886-1890 e 1890-1900, governos chefiados por José Luciano de Castro, então líder do Partido Progressista.
  • De 1898 a 1900 foi ministro dos Negócios Estrangeiros. Depois de uma boa prestação neste cargo e na política,
  • chega a presidente do Conselho de Ministros em , 22 de Dezembro de 1909 a 26 de Junho de 1910 , mas sem pasta.
Ao nível do governo onde mais se destacou foi no ministério da Justiça, principalmente pela autoria do projecto que foi aprovado no Parlamento sobre o Código Comercial, 1888, onde granjeou a projecção política e fama pelo seu dom oratório no parlamento.

De notar que este Código continua em vigor, em Portugal, desde 1888, tendo sido, contudo, derrogado diversas vezes por diplomas avulsos reguladores de variadas matérias no âmbito do Direito Comercial, um dos quais, o Código das Sociedades Comerciais de 1986.

Veiga Beirão foi granjeado com muitas condecorações internas e externas, desde logo a mais importante de Portugal a grã-cruz da Ordem da Torre e Espada.

Com a República, reformou-se da política e dedicou-se somente à carreira de advocacia e ao ensino e a uma Associação de advogados.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Oliveira Martins


Joaquim Pedro de Oliveira Martins

  • Nasceu em Lisboa no dia 30 de Abril de 1845
  • Morreu em Lisboa no dia 24 de Agosto de 1894
Devido à morte do pai, em 1857,vitimado pela epidemia de febre amarela,teve de interromper os estudos liceais e empregar-se aos 15 anos para prover ao sustento da família

Em 1870 foi exercer funções de administrador de uma mina em Almadém em Córdova na Andaluzia, ao Sul de Espanha.

Regressou a Portugal em 1874, para dirigir a construção da linha férrea do Porto à Póvoa de Varzim e Famalicão ficando depois a dirigir a companhia encarregada da exploração económica dessa linha

Oliveira Martins foi um exemplo de autodidacta, vindo a tornar-se em 1878, sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, e em 1880 foi eleito presidente da Sociedade de Geografia Comercial do Porto, e em 1884, director do Museu Industrial e Comercial do Porto.

Exerceu ainda as funções de administrador da Régie dos Tabacos, da Companhia de Moçambique e fez parte da comissão executiva da Exposição Industrial Portuguesa.

Este foi o aspecto profissional digamos assim de Oliveira Martins.

No aspecto cultural, em 1870 com 25 anos já tinha obra publicada no domínio do romance histórico com o livro Febo Moniz, vindo a colaborar no jornal revolução de Setembro e no jornal de Comércio, publicações onde saem os seus primeiros artigos sobre história e política social, onde entre outros artgios se publicará em 1869 uma série de 5 artigos com o título «Do princípio federativo e sua aplicação à Península Hispânica» .

É também desta época a publicação do opúsculo Teófilo Braga e o Cancioneiro e o Romanceiro Português (1869), que é fruto da correspondência trocada entre ambos.

Tentará também a poesia com o Traga-Mouros, sendo admitido, em princípios de 1870 no Cenáculo de Antero Quental, de quem se tornou grande amigo.

Nesse ano, lança o jornal de feição socialista A República, com Antero, Eça de Queirós, Manuel de Arriaga, Luciano Cordeiro, Batalha Reis e Teófilo Braga, no mesmo ano em que o marechal Saldanha realiza o seu último golpe de estado - a Saldanhada.

O jornal desaparece tão rapidamente como o governo do marechal, levando Oliveira Martins a ir viver para Espanha, como já acima tinha referido.

Em 1874 , quando regressa ao Porto. nos dois primeiros anos, por causa da tal empreitada do caminho de ferro não consegue escrever muito, tirando um ou outro artigo para a Revista Ocidental,tendo também publicado a primeira versão de O Crime do Padre Amaro.

As incursões na área política, não tiveram sucesso inicial dada a recusa de Fontes Pereira de Melo em o deixar concorrer pelo Partido Regenerador, escreve então A Reorganização do Banco de Portugal, onde defende a existência de um banco emissor único, e no ano seguinte A Circulação Fiduciária, memória apresentada à Academia das Ciências de Lisboa.

Em 1878 e em 1879 concorre às eleições, no Porto, pelo Partido Socialista, tendo recebido 37 votos no primeiro ano e 40 na segunda tentativa.

A impossibilidade de entrar na vida política, devido primeiro à recusa do Partido Regenerador, e depois à debilidade do Partido Socialista e ao corte com o Partido Republicano, levam-no a lançar a Biblioteca das Ciências Sociais, cujos primeiros volumes são a História da Civilização Ibérica, e a História de Portugal.

Em 1884, António Augusto de Aguiar nomeia-o director da Escola e Museu Industrial e Comercial do Porto, ano em que publica o último livro da Biblioteca, a História da República Romana, em que descreve a vida de Júlio César.

Em 1885, colige vários artigos dispersos por órgãos da imprensa nacional e lança um jornal - A Província - para divulgar o seu programa político.

Em 1886,é eleito deputado por Viana do Castelo, mas quando Luciano de Castro forma governo, as Finanças são entregues a Mariano de Carvalho, recusando ele a pasta das Obras Públicas.

Em 1888 regressa a Lisboa e assume a direcção do jornal O Repórter, cargo que ocupa por pouco tempo, pois Mariano de Carvalho nomeia-o para a Administração dos Tabacos, cargo que ocupará durante dois anos.

Em Fevereiro de 1892 aceita finalmente a pasta das Finanças no ministério de Dias Ferreira. Trabalha afincadamente nos primeiros tempos, mas o presidente do conselho não gosta da sua independência. Entram em conflito e Oliveira Martins é obrigado a demitir-se.

Apos uma breve passagem por Londres, regressa em 1893 sendo de novo eleito deputado
pelo Porto e também como membro da Junta de Crédito Público ao mesmo tempo que escreve a Vida de Nun'Álvares e prepara o Príncipe Perfeito.

Já doente parte para Espanha, para se documentar sobre a Batalha de Toro, regressando bastante pior. Vai para Setúbal, onde escreve o 1.º capítulo de O Príncipe Perfeito.

Morre em 24 de Agosto de 1894, apenas com 49 anos vitimado pela tuberculose tendo dito na hora da morte "Morro triste não levo saudades do Mundo".

A evolução do seu pensamento político, inicido pelo republicanismo social evolui para um socialismo proudhoniano, definido por uma democracia socializante, mas assente em Estado forte.

Tinha casado em 10 de Março de 1865 com D. Vitória de Mascarenhas Barbosa, não tendo tido descendência.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Wenceslau de Lima


Wenceslau de Sousa Pereira de Lima

  • Nasceu no Porto a 15 de Novembro de 1858
  • Morreu em Paris a 24 de Dezembro de 1919

Formou-se na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra doutorando-se em 1882 sendo oriundo de uma abastada família portuense, foi enviado muito jovem para o estrangeiro, tendo aí feito os seus estudos preparatórios e secundários.

Em 1883 concorreu para uma vaga de lente da Academia Politécnica do Porto, que venceu vindo a reger a cadeira de Geologia perto de 30 anos.

Á época, a paleontologia era uma ciência nova e o estudo dos fósseis encontrados em território português era muito incipiente, devendo-se essencialmente ao trabalho de alguns investigadores estrangeiros que tinha colectado amostras em Portugal

No plano político também teve uma carreira extensa, começando por ser governador civil de Vila Real, Coimbra e Porto, depois de ser filiado como membro do Partido Regenerador.

Foi também eleito deputado pelos círculos do norte de Portugal em diversas legislaturas.

Em 1901 foi elevado a Par do Reino, tendo tomado assente na respectiva Câmara na sessão de 17 de Março daquele ano.

Em 1903 foi ministro dos Negócios Estrangeiros num governo de Hintze Ribeiro, pasta a que voltaria em 1905.

Chegou à presidência do Conselho de Ministros em 1909.

Ao longo da sua carreira política, foi também membro do Conselho de Estado, presidente da Câmara Municipal do Porto, director da Escola Médico-Cirúrgica do Porto e provedor da Santa Casa da Misericórdia da mesma cidade. Foi ainda vice-presidente da comissão executiva da assistência nacional aos tuberculosos e vogal da comissão do Patronato Portuense.

Após a implantação da República exilou-se em França e onde acabaria por falecer.